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A Crítica
Opinião

Reestruturar e superar a lógica da destruição

Reduzir e impedir que a “boiada” continue passando é desafio de uma política estruturante em âmbito nacional cujo resultado é percebido em nível local.

Publicado em 06/06/2024 às 09h56
Reestruturar e superar a lógica da destruição
Foto: Agência Brasil

O governo brasileiro conseguiu repor o país na agenda ambiental por outra perspectiva seis anos depois de experiências devastadoras. Reduzir e impedir que a “boiada” continue passando é desafio de uma política estruturante em âmbito nacional cujo resultado é percebido em nível local.

As medidas anunciadas pelo governo federal demonstram avanços quanto ao esforço de trabalhar o meio ambiente como assunto do conjunto do executivo e não apenas de um ministério, o do Meio Ambiente, mas perpassa pelo todo desse poder. Essa mudança de conduta também exige tempo a fim de que seja compreendida e acatada, não ocorre no apertar de uma tecla ou na vontade isolada. O governo é um dos espaços de conflito, conciliação, acordo, de tomada de posição em nome dos princípios da administração pública e a mais coletiva possível.

Na prática, uns seguem nesse direção, outros consideram agir noutra direção. É nesse sentido, sem ignorar o conflito, que o respeito à legislação ambiental e a busca de avanço nesse conjunto de leis devem seguir. A Amazônia tem função estratégica para o reposicionar o Brasil em nível internacional como nação que leva a sério a relação social com a Natureza e, assim ocorrendo, outros biomas brasileiros também serão percebidos como ecossistemas necessários e que devem ser conservados e protegidos.

Há recepção positiva globalmente às ações do governo quanto a atual gestão ambiental, em nível interno, uma série de procedimentos por parte de grupos empresariais que estabeleceram seus negócios por meio da monocultura, da devastação de florestas e destruição  de áreas de proteção ambiental (APAs) ainda permanece. Madeireiros,  garimpeiros, pesca ilegal, enfim uma série de ações, atuam noutra pauta que, com alguma frequência, está vinculada a uma política ilegal e violenta.

Na Amazônia mais profunda os ataques à Natureza e aos povos originários seguem a partir de esquemas financiados e em conexão com outros grupos da panamazônia  que atuam nessa mesma linha. A proposta do arco da restauração na Amazônia é um indicador de enfrentamento e de reordenação que tem na economia da floresta a partir daquilo que a região oferece naturalmente, não pela depredação, e sim pela sintonia. A restauração é complexa, porém possível de acontecer, se houver determinação politica.