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A Crítica
Opinião

Refugiados: desafio do acolhimento

Publicado em 29/08/2019 às 12h13 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h55
Refugiados: desafio do acolhimento

O drama dos venezuelanos que procuram o Brasil fugindo da crise  em seu país natal ganha novo capítulo em Manaus. Há mais de um ano, a rodoviária da capital e seus arredores acabou se transformando em um acampamento improvisado de refugiados, onde famílias inteiras de migrantes sobrevivem em condições precárias de segurança e higiene. Isso sem falar na degradação do próprio terminal rodoviário, que não tem estrutura para acomodar os “inquilinos”.

Na terça-feira, finalmente, começou uma iniciativa para atacar esse problema. Diversas instituições públicas do Estado e do município, com apoio do Exército Brasileiro e acompanhamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), puseram em execução o Projeto Acolhida, uma série de ações para melhorar a qualidade de vida dos migrantes e lhes proporcionar, além de condições de vida mais dignas, alguma perspectiva de futuro no País.

Mas surge um problema: a ideia é retirar os venezuelanos da rodoviária apenas temporariamente. Eles devem se alocados na Arena Amadeu Teixeira, enquanto a área da rodoviária é equipada com barracas, banheiros, guarda-volumes e toda a estrutura para funcionar como um albergue. Seria a rodoviária o local mais adequado para montagem desse complexo? A ideia tem suscitado críticas de todos os lados. A rodoviária é um importante ponto urbano de convergência, uma das portas de entrada e saída da cidade. Dividir esse espaço com um albergue para refugiados pode não ser uma boa ideia, e pode contribuir com a continuidade do processo de degradação do terminal.

Outras alternativas ainda podem ser consideradas, locais mais adequados  para o acolhimento dos venezuelanos, inclusive em tamanho, pois a área da rodoviária já está no limite da capacidade, com a presença de mais de 500 imigrantes. A retirada das pessoas apenas para devolvê-las ao mesmo local em seguida não parece uma boa solução. De qualquer forma, é louvável a iniciativa das instituições, ainda que tardia. É preciso ter consciência que essa responsabilidade não é apenas do poder público, mas de toda a sociedade. O momento é de solidariedade, de apoio aos que se veem obrigados a lutar pela sobrevivência em um país estranho. Sempre é hora de praticar o amor ao próximo.