Representatividade feminina na política
Os negros são mais da metade da população brasileira, de acordo com o senso de 2010 realizado pelo IBGE. Mas não chegam a 10% entre deputados federais e senadores no Congresso Nacional. Na Câmara dos deputados, dos 513 parlamentares, somente 43 se reconhecem como negros. Dos 81 senadores, apenas dois são negros ou pardos.
Um fenômeno muito parecido ocorre em relação às mulheres no Parlamento. Por aqui, as mulheres compõem apenas 10,5% do conjunto de deputados federais. No Senado, o índice é um pouco maior, 16%. Isso coloca o Brasil entre os países com pior representatividade feminina na política. De um total de 192 países, o Brasil ocupa a 152ª posição no ranking de representatividade feminina na Câmara dos Deputados, ficando atrás de países como Senegal, Etiópia e Equador. Quando falamos então de mulheres negras no Congresso, aí a situação piora muito mais: são apenas três na Câmara dos Deputados e outras três no Senado.
Vários fatores contribuem para essa baixa representatividade. A principal delas, dizem os especialista, é o preconceito, que no caso das mulheres negras no Congresso, se manifesta duas vezes. Já é difícil uma mulher se eleger, ainda mais sendo negra. Como enfatiza o cientista político Leonardo Barreto, os mecanismos de preconceito da sociedade brasileira não dificultam apenas o voto às mulheres negras. O primeiro desafio é conseguir ser candidata. A maior parte dos partidos não consegue cumprir a cota de 30% de candidatas mulheres.
Felizmente, isso parece estar mudando. De um modo geral, as candidaturas de mulheres negras aumentaram nestas eleições, especialmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais. No Rio, o número de candidatas negras mais que dobrou na comparação com as últimas eleições, em 2014. Esse movimento é maior no Rio de Janeiro muito em função da indignação após o assassinato – ainda não elucidado – da vereadora Marielle Franco, em 14 de março.
Também há que se ressaltar o protagonismo atual das mulheres de todas as cores que estão atuando ativamente na disputa presidencial, seja por meio do movimento #elenao como de sua contraparte, o #elesim. O envolvimento feminino, não resta dúvida, será decisivo para o resultado das urnas, seja ele qual for. Esse movimento pode continuar ecoando, quem sabe com reflexos nas eleições seguintes, com participação mais expressiva de mulheres candidatas resultando em maior representatividade feminina no Congresso Nacional.