República desafiada
A República e seus atributos mais relevantes andam esquecidos pelos brasileiros, a começar pelos que estão em cargos de poder que têm na democracia representativa uma das suas expressões de peso. O feriado de 15 de novembro, dedicado ao ato da Proclamação da República brasileira, em 1889, no Rio de Janeiro, para substituir a monarquia que vive profunda crise.
Em torno da ideia republicana, tratada como concretização de uma decisão militar da qual o povo atuou como espectador, alguns estudos mostram que entre a população a república era percebida por parcela dos brasileiros como o caminho para o desenvolvimento do País. Tem sido, em geral, essa busca pelo desenvolvimento entre os surtos desenvolvimentistas, novos golpes, retomada e interrupção da democracia que o Brasil chegou ao nível atual, em meio a crises de várias ordens e o desejo de desenvolver e melhorar as condições de vida com as quais o Brasil republicano se comprometeu a realizar há 129 anos. Até mesmo os monarquistas tentam fazer fluir os sentimentos e a vontade de retomada de um país monárquico.
Os percursos históricos desse evento e de outros a ele diretamente relacionados e a ideia de país demonstram a importância do conhecimento e, de modo especial, de conhecer os relatos da história de formação dos países, deste país. São eles, vistos por diferentes ângulos, que irão proporcionar a discussão mais livre e mais rica das perspectivas formuladas por aqueles que articularam os muitos movimentos e golpes responsáveis pelo rompimento com determinadas situações, pelas adesões e novas rupturas; como a população participou e o que estava em jogo em cada fase histórica que ganhou uma data consagrada como feriado nacional para ser lembrada e celebrada.
O Brasil do século XXI conversa com o Brasil do século XIX por meio de indicadores semelhantes, a começar pela crise econômica, política, ética, a decadência da representatividade dos poderes e a insatisfação de determinadores setores que se sentem lesados em seus negócios. A futuro governo a assumir em janeiro de 2019 acenou com o fim da corrupção, a volta do emprego, o fim da violência e a redução da presença estatal na condução das questões públicas em relação direta com o privado. Ganha reforço o entendimento de que é o mercado que deve resolver os conflitos e criar as oportunidades. A República Federativa do Brasil está, hoje, diante de outro desafio.