Responsabilidade com o Meio Ambiente
Surpreende a notícia de que ainda existe um igarapé limpo em Manaus: o igarapé Água Branca. Ele é conservado graças à atuação da própria comunidade, que monitora diariamente seus seis quilômetros de extensão, impedindo a entrada de possíveis agressores, além de promoverem ações periódicas de conscientização. A ação da vigilância evita o início do processo que vitimou os demais igarapés da capital: a ocupação irregular das margens, com desmatamento para construção de residências precárias.
A sobrevivência do Igarapé da Água Branca ocorre porque a população tomou para si uma atribuição que não é apenas do poder público, mas de todos. Cuidar dos igarapés, das áreas verdes e do meio ambiente como um todo é dever de todo cidadão, o que não exclui, é claro, as obrigações do Estado.
A situação atual dos igarapés de Manaus, diferente do Água Branca, é resultado de muitas décadas de um lento processo desordenado de crescimento da cidade, que foi destruindo as margens dos córregos. Na verdade, em vez de proteger os igarapés, o poder público apenas permitiu que fossem aproveitados como “esgoto” não-oficial da cidade. Não é à toa que Manaus tem menos de 20% de cobertura de rede de esgoto.
Porém, nunca é tarde para dar aos igarapés de Manaus o tratamento merecido. Quem sabe um dia a cidade tenha um projeto sério de recuperação, por mais complexa que seja a situação atual, diante do elevado nível de degradação e do grande investimento que seria necessário, principalmente na retirada das edificações há tanto tempo instaladas em locais que deveriam ser ocupados pelos cursos d’água. As margens seriam, então, recuperadas e reflorestadas, e os córregos deixariam de ser o destino de toneladas de resíduos domésticos e industriais todos os dias. Em alguns anos, Manaus seria um exemplo para o mundo. A capital ecológica no coração da Amazônia.
Essa transformação, é claro, passaria por uma profunda conscientização por parte dos manauaras, que assumiriam seu papel fundamental como defensores do meio ambiente. Bem diferente do que acontece hoje, quando toneladas de lixo são retiradas da água pela Prefeitura, apenas para que mais lixo seja jogado em seguida. Enquanto essa realidade não muda, fica o exemplo daqueles que cuidam e zelam pelo Igarapé Água Branca.