Retrocesso na política ambiental
Após conquistar confiança e respeito internacional no tema mudanças climáticas, o Brasil volta atrás e escolhe o caminho mais difícil e conflituoso nesse item. O governo brasileiro ignora ostensivamente os efeitos prejudiciais dessa postura quer naquilo que lhe é mais valorizado, a economia e a expansão dos negócios em parcerias internacionais, quer no fortalecimento de uma política interna de desenvolvimento em sintonia com os princípios agroecológicos.
O que ora a sociedade brasileira e internacional assiste é o resultado mais imediato de uma série de atos do governo federal que atropelam o bom senso, negam protocolos firmados há décadas e inauguram ações antagônicas aos acordos climáticos firmados e nos quais o Brasil foi protagonista. Neste encontro encerrado na sexta-feira, o recado da comunidade internacional não poderia ser mais transparente e o posicionamento do governo brasileiro o pior possível, como se reafirmasse a disposição de seguir no mesmo caminho e até intensificá-lo.
Entre os empreendimentos internacionais, muitos deles são obrigados a cumprir normas do mercado global, resultados de décadas de lutas sociais internas de cada país participante, como ocorreu no Brasil. A Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como ECO-1992 ou Cúpula da Terra, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) é um dos marcos, duas décadas depois da Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, os representantes dos chefes de Estado assumiram compromissos que, nesse processo, vêm sendo revisados, ampliados, fortalecidos e, para governos de países como os Estados Unidos, na fase Donald Trump, e Brasil, de Jair Bolsonaro, abandonados.
Como resultado em curto, médio e longo prazo, o Brasil poderá ter fuga de investidores que estão comprometidos com os critérios de certificação verde e são monitorados em suas ações no mundo. O agravamento da devastação e queimada em regiões como a Amazônia comprometem o governo brasileiro cuja atitude tem sido mais no sentido de desqualificar pesquisadores e resultados de pesquisas científicas, fomentar conflitos com governos da comunidade europeia e desmantelar espaços fundamentais nesse setor, imobilizando-os ou direcionando-os para agir na anulação de normas, estimular a degradação promovida por grupos empresariais cuja regra de atuação é estritamente movida pelo tamanho do lucro que pode auferir independente do estrago que a ação resultará no município onde se desenvolve ou será desenvolvida. O governo federal leva o Brasil ao retrocesso da política ambiental.