Manaus sáb, 24 out
A Crítica
Opinião

Rumo à inviabilidade

Publicado em 27/07/2019 às 14h13 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h51
Rumo à inviabilidade

A questão do transporte público em Manaus se encontra em uma encruzilhada. As empresas de ônibus que operam o sistema alegam rombo de mais de R$ 400 milhões em suas contas e apontam a perda de passageiros para outros modais – como aplicativos de transporte e mototaxistas –, além do valor da tarifa, entre os motivos do aperto nas finanças. Segundo os cálculos das empresas, o sistema só entraria em equilíbrio se o valor da tarifa fosse reajustado para 5,27, o que equivaleria a  um aumento de 38%.

Se um reajuste dessa proporção ocorresse, Manaus passaria a ter a tarifa mais cara do País, superando Belo Horizonte (MG), onde andar de ônibus custa  R$ 4,50, e possivelmente, o pior serviço.  Quem precisa tomar ônibus em Manaus para ir ao trabalho de manhã cedo enfrenta um suplício diário, com demora excessiva nas paradas, uma muvuca infernal para entrar no veículo, desconforto no ônibus superlotado, sem falar no risco permanente de atraso na viagem por motivo de pane mecânica. A insegurança com o risco de assaltos é um tópico à parte. Na capital amazonense, só viaja de ônibus quem não tem outra opção.

Mas se o improvável ocorresse e o chefe do Executivo Municipal autorizasse o tal reajuste, o tiro poderia sair pela culatra. Isso porque a tarifa de ônibus ficaria tão cara que seria mais viável para os passageiros se unirem em grupos de quatro pessoas e chamar um motorista de aplicativo. Uma viagem de R$ 20, custaria R$ 5 para cada passageiro, com muito mais conforto, rapidez  e segurança.  O sistema de transporte da cidade precisa passar por profundas mudanças. Um desafio e tanto para empresas e poder público. A população manauara certamente não vai aceitar reajuste de qualquer tamanho na tarifa se não houver sensível melhoria no serviço, com carros mais novos e com manutenção em dia.   Outro aspecto que precisa ser revisto é a engenharia de trânsito. Ainda ocorre em muitas vias fundamentais da cidade a circulação de ônibus em faixas da direita e da esquerda, transformando o ato de trafegar pelas ruas uma aventura, principalmente nos horários de pico. O sistema caminha a passos largos para  a inviabilidade em meio a um complexo emaranhado de problemas. O poder público precisa tomar atitudes urgentes e práticas, o que não passa por intervenções de faz de conta.