Serviços estão precarizados
As pessoas não conseguem dormir porque o calor é intenso e se soma a ele o mal-estar provocado pela qualidade ruim do ar
A interrupção no serviço de energia elétrica em Manaus tornou-se nos três últimos dias mais um problema no cotidiano de milhares de famílias. Em diferentes bairros e na área central da cidade foram registradas a falta de luz e, em alguns casos, por muitas horas.
A instabilidade na oferta e operacionalização do serviço gera uma série de prejuízos que envolve perda de alimentos, suspensão de atividades, fechamento de estabelecimentos que não dispõem de gerador próprio, e o impacto na saúde dos indivíduos. As pessoas não conseguem dormir porque o calor é intenso e se soma a ele o mal-estar provocado pela qualidade ruim do ar.
Se já estava difícil enfrentar os dilemas provocados pela fumaça, a frequência na interrupção do serviço agrava a situação. Uma massa de pessoas atormentadas, tensas e cansadas é forçada a cumprir sua jornada de trabalho e de compromissos sem que seu corpo esteja em condição de dar conta das demandas.
O que se verifica, em pouco tempo de observação, por exemplo, no trânsito, é uma série de explosões de ira diante de situações menores que poderiam ser tratadas pelo diálogo se houvesse disposição para tal conduta. Serviços que envolvem atendimento público seguem posição semelhante em ambientes agressivos. Não há escuta, há reação violenta.
Outro dado de desgaste é o provocado pela precariedade da internet. A instabilidade diária é naturalizada como se fosse esse o modelo de funcionamento. Todo um elenco de atividades e milhares de usuários são prejudicados e sentem-se órfãos diante das desculpas e da falta de fiscalização que poderia levar à correção desse quadro e à punição das empresas responsáveis.
No conjunto, uma série de serviços pelos quais os usuários pagam e pagam valores elevados está a cada dia mais precária, sem que medidas sejam tomadas para enfrentar a falta de respeito. Há timidez e até omissão dos setores que têm a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento, os preços e a qualidade dos serviços.
A campanha eleitoral não pode significar um certo tipo de “tempo livre para ignorar o desrespeito” a que as pessoas estão sendo submetidas por empresas e o sofrimento que a inconsistência dos serviços provoca aos seus usuários. É preciso apresentar respostas que atendam aos aflitos.