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A Crítica
Opinião

Setor de duas rodas precisa de mais apoio

Os Estados Unidos são importante destino de parte da produção local de motocicletas. A sobretaxa, como não poderia deixar de ser, reduziu as vendas para aquele país.

Publicado em 15/10/2025 às 08h54
Setor de duas rodas precisa de mais apoio

O bom desempenho das fábricas de motocicletas do PIM, mesmo com a vigência do tarifaço do governo norte-americano sobre os produtos brasileiros, é mais uma demonstração da força do polo amazonense. Os Estados Unidos são importante destino de parte da produção local de motocicletas. A sobretaxa, como não poderia deixar de ser, reduziu as vendas para aquele país. Por outro lado, os veículos puderam ser redirecionados para outros mercados, como Argentina e Colômbia, anulando o impacto negativo. O episódio atesta a resiliência do polo de duas rodas da Zona Franca, o que anima as empresas a continuar investindo em modernização e aumento da produção.

Dados da Associação Brasileira de Fabricante de Motocicletas (Abraciclo) revelam que, até setembro, foram produzidas quase 1,5 milhão de motos, o que representa expansão de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa, agora, é que as negociações entre o governo brasileiro e os norte-americanos resultem na retirada da taxa adicional – inclusive sobre as motocicletas – o que pode aquecer ainda mais o segmento. De qualquer forma, o principal destino das motos fabricadas em Manaus é o mercado interno, notadamente as regiões Sudeste e Nordeste, onde a demanda só aumenta.

Os fabricantes instalados na Zona Franca celebram os bons resultados, mas não deixam de destacar que produção e vendas seriam ainda mais expressivas se velhos gargalos fossem finalmente superados, como a plena recuperação da rodovia BR-319 e a perenização da hidrovia do Rio Madeira, obras que facilitariam sobremaneira o escoamento dos produtos, reduzindo custos, com reflexos nos preços finais dos veículos.

O polo de duas rodas da Zona Franca é um dos principais segmentos industriais do modelo industrial amazonense, demonstrando sua força ano após ano. Mas o poder público e as forças políticas da região precisam contribuir efetivamente para alavancar ainda mais o setor, que gera empregos e divisas para o Amazonas. Com a proximidade das eleições, novamente a Zona Franca será exaltada em muitos palanques, mas o que a sociedade espera é menos promessas e mais ação efetiva.