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A Crítica
Opinião

Sinal amarelo na economia

Publicado em 31/05/2019 às 11h52 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h40
Sinal amarelo na economia

Nos primeiros três meses do ano, todos os setores da economia, em especial a indústria deram sinais de fraqueza, resultando em um recuo de 0,2% no PIB, algo que não acontecia desde 2016. A boa notícia é que a reforma da Previdência – espera-se que devidamente ajustada para não causar injustiças a trabalhadores rurais, PCDs e professores, por exemplo – deve mesmo acontecer no início do segundo semestre. A má notícia que, segundo todos os analistas, isso não bastará para fazer a economia começar a girar mais velozmente e a recessão deve continuar sendo um risco enorme pairando sobre o País. Por enquanto, as projeções apontam para um leve crescimento de 0,1% no segundo trimestre e uma alta inferior a 1% no ano, mas tudo depende dos próximos movimentos em Brasília e de como o mercado reagirá a eles.

Os efeitos da reforma não serão sentidos no dia seguinte, mas ao longo da próxima década. De imediato mesmo só a injeção de ânimo no mercado e a expectativa de que as outras reformas estruturantes também saiam do papel. E isso  será um passo importantíssimo, já que um dos fatores que seguram o crescimento é a falta de confiança de empresários, consumidores e investidores. Na Zona Franca de Manaus, isso se traduz  na  escassez de novos investimentos. Na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) no ano, realizada em abril, a pauta aprovada foi a mais minguada dos últimos anos.

Economistas ainda divergem para explicar o que freia a retomada da economia mais de uma década após a crise de 2008, que deu início ao declínio de mercados em todo o mundo, aniquilou empregos e contribuiu para a derrubada de governos. Uma das teorias é que o nível de interligação e interdependência econômica entre as nações tenha chegado a tal nível que a retomada do crescimento efetivo de uma nação dependa fundamentalmente do cenário externo e das relações com outros países e blocos econômicos. Se for isso, o caso do Brasil torna-se muito preocupante na medida em que se considera o esfacelamento da Venezuela e a crise aguda na Argentina. A queda de braço entre Estados Unidos e China, ambos parceiros estratégicos do Brasil, também não ajuda, lançando o comércio internacional em um campo de areia movediça.