Sistema banalizado
Os assaltos e assassinatos no Amazonas criam a sensação de que estão cada vez mais numerosos embora o governo aponte para uma redução dessas ocorrências. Em Manaus, a realidade desse tipo de ocorrência é multiplicada por cenas cotidianas de relatos de vítimas ou do registro de mortes. O outro indicador é o do medo que a população demonstra e a busca de respostas.
Muitas delas, em condição de profunda vulnerabilidade, passaram a defender abertamente o uso de atos de não justiça como forma de fazer justiça, o linchamento é um desses mecanismos e tornou-se mais uma preocupação no combate à violência porque se constitui na expressão da gravidade que o tema assume e na dificuldade de enfrentá-lo de forma mais eficiente e inteligente.
A expansão e a diversificação das formas de violência em Manaus são parte de relatos diários. Armados e circulando em carros, motocicletas ou a pé, os assaltantes atacam lojas, centros comerciais, residências, igrejas, escolas; moradores quando chegam em casa no momento em que tentam abrir o portão de suas residências. As ações são rápidas e na maioria dos casos os assaltantes conseguem escapar. O pavor instaurado faz com que a população passe a acreditar nas fórmulas mais absurdas e colocar como bandeira de luta o armamento domiciliar na perspectiva de que armada poderá se defender e defender seus familiares. O resultado desse tipo de comportamento tem sido desastroso nos vários países com o aumento do número de mortes e de eventos que expõem diferentes níveis de transtorno mental, com invasão de estabelecimentos públicos e matança de suas clientelas, as escolas têm sido o alvo recorrente.
Banalizar a discussão desse tema ou discuti-lo somente como problema de falta de policiamento, de presídios e pela facilitação do acesso às armas, é insistir em estimular a violência e a fragmentação da segurança. Ou de outra forma, representa a intenção de manter a situação como está. Segurança pública exige envolver todas as áreas, qualificar adequadamente os recursos humanos, melhorar os equipamentos de monitoramento e investir na formação das pessoas, na valorização institucional retirando-as da condição de negociata a que foram submetidas e na retomada de aprendizagem sobre os direitos e os deveres das pessoas focando numa ação de cidadania ativa e permanente.