Manaus qua, 21 out
A Crítica
Opinião

Sistema banalizado

Publicado em 05/10/2018 às 11h17 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h24
Sistema banalizado

Os assaltos e assassinatos no Amazonas criam a sensação de que estão cada vez mais numerosos embora o governo aponte para uma redução dessas ocorrências. Em Manaus, a realidade desse tipo de ocorrência é multiplicada por cenas cotidianas de relatos de vítimas ou do registro de mortes. O outro indicador é o do medo que a população demonstra e a busca de respostas.

Muitas delas, em condição de profunda vulnerabilidade, passaram a defender abertamente o uso de atos de não justiça como forma de  fazer justiça, o linchamento é um desses mecanismos e tornou-se mais uma preocupação no combate à violência porque se constitui na expressão da gravidade que o tema assume e na dificuldade de enfrentá-lo de forma mais eficiente e inteligente.

A expansão e a diversificação das formas de violência em Manaus são parte de relatos diários. Armados  e circulando em carros, motocicletas ou a pé, os assaltantes  atacam lojas, centros comerciais, residências, igrejas, escolas; moradores quando chegam em casa no momento em que tentam abrir o portão de suas residências. As ações são rápidas e na maioria dos casos os assaltantes conseguem escapar. O pavor instaurado faz com que a população passe a acreditar nas fórmulas mais absurdas e colocar como bandeira de luta o armamento domiciliar na perspectiva de que armada poderá se defender e defender seus familiares. O resultado desse tipo de comportamento tem sido desastroso nos vários países com o aumento do número de mortes e de eventos que expõem diferentes níveis de transtorno mental, com invasão de estabelecimentos públicos e matança de suas clientelas, as escolas têm sido o alvo recorrente.

Banalizar a discussão desse tema ou discuti-lo somente como problema de falta de policiamento, de presídios e pela facilitação do acesso às armas, é insistir em estimular a violência e a fragmentação da segurança. Ou de outra forma, representa a intenção de manter a situação como está. Segurança pública  exige envolver todas as áreas, qualificar adequadamente os recursos humanos, melhorar os equipamentos de monitoramento e investir na formação das pessoas, na valorização institucional retirando-as  da condição de negociata a que foram submetidas e na retomada de aprendizagem sobre os direitos e os deveres das pessoas focando numa ação de cidadania ativa e permanente.