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A Crítica
Opinião

Socorro às vítimas da cheia

Publicado em 10/03/2021 às 11h43 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h47
Socorro às vítimas da cheia

O ano de 2021 veio para pôr à prova a força dos amazonenses. Após começar o ano como epicentro da segunda onda da pandemia de covid-1, alguns municípios do Estado já estão imersos naquela que pode ser a maior cheia dos últimos anos. As cidades de Guajará, Ipixuna, Itamarati, Eirunepé, Envira, Boca do Acre e Pauini já decretaram situação de emergência. Outros devem decretá-la nos próximos dias. A projeção do governo do Estado é que mais de 50 municípios sejam atingidos pela enchente deste ano, afetando aproximadamente 400 mil pessoas.

Um plano estadual – a Operação Enchente 2021 – já está em andamento para socorrer as cidades em situação mais crítica. O governo lançou um pacote que inclui investimento R$ 67 milhões em ações como ajuda humanitária, crédito e anistia de dívidas, apoio ao setor primário, instalação de abrigos e de estações de tratamento de água, entre outras providências. No entanto, a solidariedade é sempre bem-vinda. Além da pandemia, ainda com muitos casos e óbitos, várias cidades já enfrentam dupla tragédia.

A sociedade precisa se organizar para providenciar apoio aos moradores desses municípios. Algumas iniciativas já estão sendo tomadas, mas, para fazer frente à proporção dos problemas, será preciso um forte engajamento de empresas, organizações e da sociedade como um todo.

Paralelamente, há outro aspecto preocupante além do drama das famílias afetadas. Como se sabe, uma cheia muito intensa resulta em sérios prejuízos econômicos. O transporte de mercadorias pela via fluvial torna-se mais lenta e onerosa, com reflexos nos preços dos produtos, a produção agrícola é fortemente atingida, assim como a pecuária no Sul do Estado. Esse conjunto de fatores terá impactos negativos em toda a cadeia econômica, que já está muito fragilizada por conta das restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Estado e prefeituras vão precisar de um plano de recuperação que não pode prescindir de ajuda federal. Essa mobilização deve começar imediatamente, envolver as bancadas parlamentares dos Estados afetados e pressionar por medidas preventivas. Esta não é a primeira grande cheia e não será a última. Os municípios já deveriam contar com sistemas eficientes de abastecimento de água e portos menos vulneráveis, entre outras providências que amenizariam bastante os efeitos da enchente.