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A Crítica
Opinião

Socorro para a Santa Casa

Publicado em 12/04/2019 às 11h28 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h31
Socorro para a Santa Casa

É quase impossível não sentir uma profunda tristeza diante da situação degradante em que se encontra o prédio da Santa Casa de Misericórdia.

Merece aplausos a iniciativa do Ministério Público, que reverteu os recursos oriundos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – no valor de pouco mais de R$ 94 mil – para obras de melhoria no prédio centenário. Desnecessário dizer que não se trata de uma reforma, até porque a verba disponível é insuficiente para tanto. As empresas que apresentarem projetos ao MP terão que usar de muita  criatividade para promover melhorias significativas no edifício histórico com tão pouco dinheiro.

Mas não deixa de ser um passo importantíssimo, principalmente para sensibilizar a sociedade e, principalmente, o poder público, sobre a situação deplorável do imóvel, que já foi um dos mais imponentes do Centro Histórico de Manaus, e hoje serve de refúgio para viciados, moradores de rua e criminosos. 

Abandonado há mais de uma década, quando deixou de funcionar como hospital, o prédio da Santa Casa é uma “batata quente” que salta de mão em mão, da Prefeitura de Manaus para o governo do Estado, sem que nada seja feito no sentido de recuperar o edifício. O problema é que ninguém quer assumir as dívidas do antigo hospital, que ultrapassam R$ 7 milhões, principalmente passivos trabalhistas. Mais de 25 processos envolvendo o prédio tramitam na Justiça do Amazonas que, há três anos, ordenou que a Prefeitura colocasse tapumes e providenciasse segurança patrimonial. Nada disso foi feito, saqueadores já levaram quase todo o telhado e a estrutura se deteriora mais a cada dia. Algo precisa ser feito antes que a situação chegue a tal ponto que se torne  irreversível, restando apenas a demolição como alternativa.

Independentemente da situação jurídica da antiga unidade de saúde, é preciso levar em conta o valor histórico da edificação e promover a restauração total do imóvel, que foi inaugurado há 139 anos e viu nascer e morrer algumas das figuras mais ilustres da história do Amazonas, além de ter feito parte da vida de inúmeros amazonenses. Vamos esperar que o prédio resista a tempo de ser recuperado e que volte a exibir a imponência de outros tempos.