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A Crítica
Opinião

Submetidos à lógica da violêcia

Sem política pública de segurança, o espaço para a insegurança está aberto e sujeito aos mais diversos experimentos dos que fazem negócios com a criminalidade e com a violência

Publicado em 11/01/2024 às 11h12
Submetidos à lógica da violêcia
Foto: Agência Brasil

 

A violência se reafirma como questão de relevância para o Brasil, desde a cidade aparentemente mais pacata àquela marcada pela sucessão dos atos violentos. Todos os dias em diferentes lugares do País são registrados casos de violência sem que se tenha respostas efetivamente positivas.

A produção do medo e a convivência com o medo diariamente geram na sociedade pessoas atormentadas e o número de indivíduos com transtornos mentais aumenta sem que exista uma rede de cuidado capaz de dar conta da demanda.

Sem política pública de segurança, o espaço para a insegurança está aberto e sujeito aos mais diversos experimentos dos que fazem negócios com a criminalidade e com a violência. Na maioria das cidades, as soluções operacionalizadas são aquelas que provocam mais violência, sugerem e incentivam o armamento individual  e o reforço ao sistema de segurança privada. Até bem pouco tempo esse procedimento ganhou apoio oficial com o governo brasileiro oferecendo facilidades para os que desejassem se armar ao mesmo tempo em que outras atitudes reforçavam a vida na lógica da violência.

Nas residências, os moradores vivem sobressaltados e muitos são vítimas de assaltos, alguns com resultados fatais. Nas ruas, o cenário é igualmente de agressão às pessoas. Nas temporadas das grandes festas datadas, Natal, Ano Novo, Carnaval, os grupos que atuam de forma criminosa se organizam  para agir, invadem festas – como celebração de casamento, dos encontros de final de ano – espreitam turistas e os encurralam. No cotidiano, os usuários de transporte coletivo enfrentam os assaltos quase como parte da jornada diária, como ocorre em Manaus.

Bairros e até obras públicas estão sendo comandados por facções criminosas que determinam horários, preços e comissões para entrada e saída nessas comunidades ou no caso de das obras em andamento, como ora ocorre no Rio de Janeiro.

O que falta acontecer para o Brasil – as instâncias dos governos federal, estaduais e municipais e dos demais poderes – atuarem com determinação no enfrentamento a essa outra forma de governar e de legislar que transforma a maioria da sociedade em reféns e faz dessa mesma sociedade a expressão da “justiça pelas próprias mãos” e incentiva a proliferação do ódio, da exclusão e do comportamento violento como regra de convivência social.