Tarifaço de base ideológica
Alguns especialistas avaliam, inclusive, que seria o caso de o Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que a taxação não estaria baseada em critérios técnicos.
Se a tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano for, de fato, implementada, estaremos diante do non sense absoluto. Isso porque a taxação não ocorreria para compensar uma balança comercial deficitária, pelo contrário: a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos é bem mais favorável aos últimos.
Estaríamos diante do uso puramente ideológico de taxas comerciais por parte de um país contra outro. Alguns especialistas avaliam, inclusive, que seria o caso de o Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que a taxação não estaria baseada em critérios técnicos.
Que fique claro: a implementação da taxa de 50% simplesmente inviabilizará a exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos. O impacto seria forte para setores como carne, café e laranja, por exemplo, que vendem muito para o mercado norte-americano.
A Zona Franca de Manaus não teria grandes prejuízos imediatos, já que pouco exporta para lá. No entanto, os efeitos sobre toda a economia nacional seriam sentidos também no Amazonas.
Alguns especialistas nutrem a esperança de que Trump, como já fez outras vezes, mude de ideia ao perceber impactos negativos em sua própria economia. Sem os produtos brasileiros, muitos itens ficariam mais caros por lá, pressionando a inflação e causando insatisfação interna.
Além disso, a motivação política da medida já vem provocando reações adversas. O vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, classificou o tarifaço como “Programa de Proteção a Ditadores de Trump”.
O fato é que o Brasil, a despeito das declarações de Lula mencionando reciprocidade, não pode partir para o “olho por olho”, sob risco de sair completamente cego do embate. Há que se manter a dignidade, elevando tarifas pontuais, que não comprometam ainda mais nossa balança.
O corpo diplomático precisa entrar em campo, nem que seja apenas para cumprir tabela, e apresentar argumentos técnicos para defender o posicionamento brasileiro.
Assim como no Brasil, neste momento, empresas sediadas nos Estados Unidos que adquirem produtos brasileiros também estão preocupadas e podem pressionar o governo. É a soma dessas pressões que definirá o recuo, ou não, de Trump.
O inacreditável é que existem brasileiros celebrando o tarifaço como uma grande vitória, quando o País todo pode ser penalizado por um motivo ridículo.