Tem médicos e falta médico no interior do Brasil
A maioria da população que hoje busca por atendimento é obrigada a esperar entre 30 a 90 dias para conseguir consulta
A Demografia médica brasileira, divulgada ontem (8) pela Associação Médica Brasileira apresenta números dignos de celebração e, na outra face, demonstra mais um elemento da desigualdade no País. São 575.930 médicos em atividade, um aumento de 84% dessa categoria profissional em dez anos, e uma situação desequilibrada na métrica médico por habitantes.
O Brasil estaria, de acordo com a AMB muito próximo da realidade dos países desenvolvidos. A outra realidade é: cidades, como São Paulo, detentoras do maior número de profissionais da área e a maioria dos outros municípios em condição crítica, com falta de médicos.
O censo nesta área profissional é instrumento para tomada de decisões que possam a médio e longo prazo alterar o quadro atual. Exige avaliação das condições dos cursos de medicina, do perfil de médicos que o país tem e do que necessita, desenvolvimento de um conjunto de ações/programas que assegurem a permanência de profissionais médicos nas áreas economicamente periferizadas.
Há algumas décadas, a escassez de médicos em regiões como o Norte e o Nordeste, é apontada como problema e iniciativas têm sido feitas para minimizar essa ausência. Uma delas, o programa Mais Médico, implantado pelo governo federal, em 2013, conseguiu distribuir 15 mil médicos em localidades que se ressentiam dessa falta. Milhares de brasileiros puderam ter atendimento médico continuado.
Mudanças, a partir de novos governos, impactaram negativamente o desenvolvimento e o aperfeiçoamento do programa que também era rejeitado por parte da categoria. O mapa que acaba de ser divulgado mostra o quanto a estrutura desigual prevalece e determina quem pode ter acesso ao médico. A maioria da população que hoje busca por atendimento é obrigada a esperar entre 30 a 90 dias para conseguir consulta, algo aparentemente contraditório diante da quantidade de médicos no Brasil.
A concentração desses profissionais em poucas capitais brasileiras responde a uma das perguntas centrais. Por que falta médicos nas cidades fora do eixo São Paulo/Rio de Janeiro/Brasília? E segue outra: Por que parcela expressiva dos profissionais de medicina não quer exercer a profissão no chamado interior do Brasil?
A projeção da AMB é que em 2035, o País terá mais de um milhão de médicos, o que se constituirá em poder político e em referência elevada na relação médico por habitante. Com os números divulgados hoje, o Basil se igual a países como os Estados Unidos, Canadá, Chile, com 2.81 médico para cada 100 mil habitantes.