Todos contra o câncer
Sabe-se que o aumento na ocorrência e letalidade dos diversos tipos de câncer estão relacionados à chamada “ocidentalização” dos hábitos, maior obesidade, sedentarismo, excesso de produtos industrializados na alimentaçãoa
O câncer, que acaba de vitimar a jornalista Glória Maria, infelizmente, continuará com incidência em alta na região Norte até 2030. Esta é uma das conclusões dos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca), com base nos dados do Sistema Nacional de Informações Sobre Mortalidade (SIM). A boa notícia é que a mortalidade prematura – na faixa etária de 30 a 69 anos – deve cair no mesmo período. A queda, porém, não será homogênea: alguns tipos de câncer terão alta, enquanto outros devem apresentar menor mortalidade.
Diversos dados do Inca inspiram preocupação na região Norte. De acordo com o estudo, o câncer de intestino, ou colorretal, é o que deverá apresentar maior aumento de risco de óbitos prematuros para homens e mulheres até 2030, no Brasil – de cerca de 10% – sendo que o Norte deve mostrar o maior aumento entre os homens, 52%. Sobre o câncer colorretal, a projeção para 2026/2030 na Região Norte é de 24 mortes por 100 mil, enquanto a média brasileira fica em 11 óbitos por 100 mil. Cabe ressaltar que isso tudo é projeção, apontamentos obtidos por meio de métodos estatísticos que consideram tendências atuais. O desenvolvimento e aplicação de políticas públicas visando a prevenção dessas doenças pode mudar esse prognóstico negativo.
Sabe-se que o aumento na ocorrência e letalidade dos diversos tipos de câncer estão relacionados à chamada “ocidentalização” dos hábitos, maior obesidade, sedentarismo, excesso de produtos industrializados na alimentação… enfim, a toda a uma gama de hábitos insalubres. A simples inclusão de exercícios físicos regulares tem potencial para reduzir pela metade a ocorrência de cânceres. O combate ao câncer tem que ser encarado pelo poder público, em todas as suas esferas, como um dos mais importantes desafios na área de saúde pública. O câncer respondeu, em 2019, por 232.040 óbitos no Brasil, em todas as idades. Na faixa de 30 a 69 anos, foram 121.264 mortes.
Os prejuízos causados pelos gastos com tratamentos na rede pública e perda de força de trabalho chegam à casa dos bilhões de reais por ano. É hora de combater o câncer de maneira sistemática, visando a redução do número de casos e de óbitos, algo que só pode ser feito com a participação efetiva de todos: governo e sociedade.