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A Crítica
Opinião

Todos pela Zona Franca

Publicado em 04/03/2022 às 11h02 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h01
Todos pela Zona Franca

Mais uma vez a Zona Franca de Manaus se encontra sob séria ameaça. A redução promovida pelo governo federal na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um golpe mortal na já combalida competitividade do modelo, fragilizando um dos centros industriais que vinham respondendo de forma mais positiva após os abalos causados pela pandemia, mostrando números que refletem a recuperação da produção, do faturamento e dos empregos, em meio a um cenário de tantas dificuldades. 

A reação da sociedade ao ataque, por meio de lideranças políticas, empresariais e instituições como Corecon, Cieam e Fieam, já era esperada, mas segue uma rotina que se repete há muito tempo. O ataque só ocorreu porque os agressores sabem podem contar até mesmo com a simpatia de grupos importantes no próprio Amazonas. A resposta precisaria ser robusta, mostrando união em torno da Zona Franca e deixando claro que ataques não serão tolerados. Espera-se que, a essa altura, em Manaus e no Amazonas já se tenha percebido que a estratégia do puxassaquismo não funciona com a atual gestão federal. Conceder título de Cidadão Amazonense a autoridades da República para depois reclamar de ataques à Zona Franca não faz sentido. 

Desde o primeiro dia de 2019, a postura federal em relação do modelo de desenvolvimento amazonense tem sido o mesmo. Diante da visão liberal da cúpula da economia, a Zona Franca, um modelo baseado em incentivos fiscais, tem sido apenas tolerada. Em todas as oportunidades Brasília tem minado a sustentabilidade do modelo. O último ataque, porém, rompeu com esse padrão, e desferiu um golpe capaz de sufocar o Polo Industrial de Manaus (PIM) a ponto de torná-lo inviável em poucos anos. 

O antigo e justo argumento de que o modelo mantém a floresta em pé tem pouco apelo junto ao atual governo. O Amazonas tem que reagir com maior firmeza e assertividade. A Zona Franca não beneficia apenas o Amazonas. Suas atividades têm reflexos positivos em todos os Estados da Amazônia Ocidental. Essa influência só não é maior, como já foi, por conta do próprio processo de estrangulamento que vem ocorrendo há anos. É preciso buscar apoio dos Estados vizinhos, fortalecer uma bancada nortista pró-ZFM. O decreto governamental precisa ser revertido o quanto antes.