Trabalho e mais trabalho
Enquanto, para muitos trabalhadores o primeiro dia de maio foi um breve período de descanso, para alguns poucos pode ter sido uma oportunidade de refletir a respeito da própria natureza da labuta
O mês de maio começou, ontem, inevitavelmente, com a antiga, porém, sempre atual reflexão a respeito da natureza e operacionalização do trabalho. Enquanto, para muitos trabalhadores o primeiro dia de maio foi um breve período de descanso, para alguns poucos pode ter sido uma oportunidade de refletir a respeito da própria natureza da labuta.
É evidente que não pretendemos, neste editorial, dissecar o contexto histórico que culminou com a instituição do dia primeiro de maio com Dia do Trabalho. Ressalte-se que não se trata de uma unanimidade mundial. Em muitos países a data é simplesmente ignorada. Nos demais, remete ao século XIX nos Estados Unidos, quando, em 1º de maio de 1886, em Chicago, milhares de trabalhadores saíram às ruas exigindo uma jornada de trabalho de 8 horas por dia. Ocorre que, naqueles dias, simplesmente não havia qualquer legislação que limitasse a jornada de trabalho diária, de modo que os trabalhadores se viam na obrigação de laborar por jornadas absurdas.
Não resta dúvida que a justa manifestação dos trabalhadores naquele momento histórico reverberou em todo o mundo. Inclusive no Brasil, que em meio à ditadura imposta pelo governo de Getúlio Vargas, instituiu uma variada gama de direitos que são válidos ainda hoje. Tratamos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi, sem dúvida, um dos grandes acertos daquele período.
Há movimentos promovidos principalmente pelas classes ligadas à indústria e ao comércio que buscam seus próprios interesses, o que é absolutamente normal. A questão é que segmentos de tais movimentos buscam soluções pouco humanizadas, como a completa flexibilização dos contratos de trabalho, o que é absurdo.
É indispensável reconhecer que qualquer trabalhador, por menor que esteja na hierarquia da estrutura do trabalho, é um ser humano que desempenha uma tarefa essencial para o funcionamento do todo organizacional. São pessoas que precisam ser valorizadas e avaliadas para eventual aproveitamento de seus talentos em outras funções. Os legisladores precisam levar este aspecto em consideração, o que não ocorreu até hoje. Mas, tenhamos fé em dias melhores.