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A Crítica
Opinião

Tragédias cíclicas

Publicado em 18/02/2022 às 15h46 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h02
Tragédias cíclicas

O Brasil todo se consterna com a tragédia que se abateu sobre a cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. As fortes chuvas vêm causando deslizamentos, alagações, destruição e morte. Até ontem, mais de uma centena de pessoas já havia perdido a vida, em decorrência da catástrofe, além de outras centenas estarem desabrigadas. Famílias inteiras foram desfeitas, patrimônios construídos ao longo de décadas foram levados pela força das águas, deixando muitos em completo desespero. O perigo ainda não acabou; o alerta de fortes chuvas permanece, podendo haver ainda mais perdas. No entanto, o desastre que assistimos hoje não é inédito.

Há 11 anos, uma tragédia com os mesmos contornos ocorreu em Petrópolis. Naquela ocasião, as chuvas e deslizamentos na região serrana deixaram mais de 900 mortos. E em 1988, após dias ininterruptos de tempestades, 134 pessoas morreram em deslizamentos de terra, desabamentos ou levadas pelas águas da enchente. Da mesma forma que agora, a calamidade despertou a solidariedade coletiva e de todas as partes surgiram doações para ajudar as vítimas. A história se repete há 34 anos sem que o poder público adote providências concretas capazes de impedir a desgraça. E não se trata de nada inexequível. Especialistas apontam uma série de medidas que evitariam a tragédia cíclica. A maioria das opções envolve a criação de programas habitacionais para retirar as pessoas que moram em áreas de risco. Essas áreas correspondem a 20% da área da cidade. Paralelamente, as áreas agora ocupadas com habitações teriam sua cobertura vegetal recomposta.

É óbvio que um programa desse naipe envolveria vultosas somas, mas não é impossível de executar, desde que haja vontade política para tal. Já passou da hora do poder público – não apenas em Petrópolis, mas de modo geral – desenvolver políticas adequadas para prevenir problemas perfeitamente previsíveis. Além disso, cientistas ressaltam que o aquecimento global é uma realidade e a tendência é que fenômenos como os temporais no Sudeste tornem-se mais frequentes. Vale ressaltar que, da mesma forma, as cheias excessivas na Amazônia já seguem uma nova periodicidade. É necessário abandonar a atitude meramente reativa e agir preventivamente para que desastres dolorosos como o que atinge Petrópolis não mais aconteçam.