Transporte de passageiros
Há duas semanas de forma mais direta os líderes dos trabalhadores rodoviários de Manaus têm reclamado e alertado quanto ao não cumprimento de acordos feitos entre essa categoria, empresários e governo municipal. O clima no setor de transportes permanece instável e coloca sob suspeição os efeitos da negociação tripartite realizada há dois meses que tinha por finalidade encerrar pendências e reduzir problemas na prestação de serviço à sociedade.
Os trabalhadores, em várias entrevistas, informam que o acordo vem sendo ignorado e a categoria está com salários achatados, pagamentos de valores a que têm direito atrasados e na mira de um dos focos da violência urbana, os assaltos diários a ônibus. Muitos carros apresentam, todos os dias, panes mecânicas e deixam centenas de passageiros largados nas ruas, o que produz revolta e prejuízos em série. São mais de 60 ocorrências dessa natureza.
O que está ocorrendo não é suficiente à tomada de providência por parte da Prefeitura de Manaus, como poder responsável pela gestão desse serviço, para prevenir situações mais graves e buscar soluções aos conflitos. As paralisações ocorridas no primeiro semestre deste no setor de transporte público provocaram, por dias seguidos, um quadro de temor nos usuários e na população em geral. Os números do prejuízo estão sendo apresentados agora pelo segmento empresarial, os dos usuários não foram quantificados e nem traduzidos em valor financeiro. São vítimas da falta de ordenamento do sistema e ignorados nos ataques que sofrem. Não há ressarcimento para o passageiro.
A possibilidade de novas paralisações está posta e anunciada. É momento de a Justiça agir para fazer cumprir o acordo antes de deliberar multas porque os trabalhadores paralisaram as atividades. A omissão em série tem permitido estabelecer e favorecer a desordem onde uns poucos lucram. Se forem tomadas medidas responsáveis, hábeis e exequíveis será possível estabelecer parâmetros de negociação, cumpri-los e manter o sistema operando de forma mais eficaz. Infelizmente, até agora, isso não ocorreu e a reclamação dos trabalhadores rodoviários tem sido tratada com deboche e do ponto de vista do que fora negociado deixado de lado. É a população que, ao final, paga o preço mais alto desse tipo de conduta.