Transporte fluvial exige maior controle e mais eficiência
Dados do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha apontam que em 2018 foram 31 acidentes e 12 mortes.
O naufrágio de uma lancha no dia 13, no Encontro das Águas, faz retomar a questão da segurança em um dos principais meios de transportes do Estado do Amazonas e de toda a Amazônia, o fluvial. A região tem nessa área um histórico preocupante. Foram muitos acidentes e muitas mortes ao longo dos anos. Dados do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha apontam que em 2018 foram 31 acidentes e 12 mortes. No anterior, 2017, foram 89ocorrências e 47 mortes. No dia 13, com a lancha que se deslocava de Manaus para Nova Olinda do Norte, a maioria dos passageiros foi salva, foram duas mortes e sete estão desaparecidos.
Há, tanto do ponto de vista de maior fiscalização, quanto do uso de tecnologias que impactaram na adoção de medidas de segurança, resultados que influenciaram numa política de engenharia na construção de barcos, lanchas e até de canoas. Dos grandes naufrágios que se tornaram uma ameaça recorrente, gradativamente o setor reduziu o número dessas ocorrências. Mas, ainda onge de colocar o transporte fluvial em patamar de segurança elevado e de referência.
Esta é uma situação que os governos federal, estaduais (e de todos os estados da região) e municipais devem ser convocados a prestar atenção e tomar providências. Empresários do setor que têm no segmento os seus negócios precisam ser igualmente acionados para que atuem no mais elevado nível de responsabilidade, independente do tamanho da embarcação.
O transporte fluvial que para alguns milhares de pessoas é a única maneira de ir e vir na Amazônia permanece clamando por acordos amplos nos itens do cumprimento da legislação, no aperfeiçoamento das leis, na vigilância da observação desses mecanismos, da qualidade e segurança das embarcações; e, por seu turno, o papel fundamental do passageiro nesse processo em defesa de sua própria vida.
A conduta mais frequente é o abandono do uso de colete dentro das embarcações. A maioria dos passageiros, independente do grau de escolaridade, opta por não utilizar os coletes salva-vidas e, por consequência, um tipo de pacto de omissão se configura: se não demanda por essas peças, elas costumam ficar no teto e nas laterais das embarcações, por longo tempo, estão sujas e muitas delas envelhecidas. Não há cobrança, por parte de quem tem a responsabilidade de comandar a viagem, pelo uso dos coletes mesmo diante da resistência de passageiros.