Transporte urbano sem expectativas
A população de Manaus que depende do transporte coletivo tem motivos de sobra para demonstrar insatisfação com o serviço prestado em Manaus. A impressão que se tem é que os empresários do setor atuam da forma que quiserem, independentemente dos reflexos na qualidade dos serviços que chegam aos usuários. Todos aguardamos o posicionamento das empresas Global Green e Açaí a respeito das graves denúncias trazidas a público por parlamentares na Câmara Municipal de Manaus. Segundo vereadores, as empresas teriam um acordo pelo qual veículos de uma empresa estariam substituindo os da outra, que não teria condições de colocar carros para rodar em determinadas rotas. O problema é que isso implica em mudanças nos locais de paradas, de forma que os usuários, sem saber da modificação, estariam sendo prejudicados.
Nem é preciso uma auditoria para constatar que o serviço de transporte urbano prestado em Manaus é de péssima qualidade, mesmo sendo um dos mais caros do País, considerando a tarifa vigente. São ônibus velhos, com manutenção duvidosa, sem falar na falta de um planejamento de transporte urbano, o que resulta em passar muito tempo dentro de um ou mais ônibus para chegar a qualquer lugar. O que falta? Além de respeito aos cidadãos, um mínimo de planejamento, considerando as reais necessidades da capital.
Ontem, na sessão ordinária da Câmara Municipal de Manaus, o vereador Cláudio Proença (PR) denunciou a existência de 50 ônibus danificados na garagem da empresa Açaí, que poderiam estar nas ruas se os veículos passassem por manutenção adequada. A informação foi reforçada pelo vereador Ceará (DEM), que também afirmou a existência dos veículos danificados na garagem da empresa. A Açaí, em face das denúncias no Parlamento, tem a obrigação de se manifestar a respeito.
Como era de se esperar, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que trabalha para melhorar a qualidade do transporte coletivo na cidade. E que exige das empresas de ônibus a renovação da frota e usa os mecanismos contratuais para exigir a devida manutenção e funcionamento dos veículos da frota. O problema é que essas exigências têm recaído sobre as empresas desde sempre, sem que isso se reflita em melhorias reais para os milhares de usuários do transporte urbano em Manaus. A péssima qualidade tem sido a mesma há muito tempo e, infelizmente, sem perspectivas reais de melhora.