Manaus sáb, 24 out
A Crítica
Opinião

Transporte urbano

Publicado em 22/12/2018 às 11h25 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h52
Transporte urbano

O último final e véspera do Natal chega em clima de confusão, com o transporte púbico paralisado em quase cem por cento da frota. As consequências de uma greve nesse setor são velhas conhecidas da população e diretamente dos milhares de usuários de ônibus. Os problemas ocorridos ontem não foram diferentes, tiveram acréscimos em decorrência da chuva e do momento em que a paralisação ocorre – nos dias de intensificação de pessoas nas ruas para as compras natalinas.

Os trabalhadores do setor de transporte público reclamam que estão sendo lesados diante dos atrasos nos pagamentos de seus salários e bonificações, que os compromissos assumidos pelo sindicato patronal e Prefeitura de Manaus não foram honrados. O governo municipal a quem compete lidar com os conflitos, buscar resolvê-los ou mesmo prevenir que esses ocorram, mas ao contrário, a forma de agir só faz aumentar a insatisfação dos trabalhadores e reforçar o posicionamento pela suspenção das atividades, como fizeram no dia de ontem.

A Justiça deve assegurar que os usuários do transporte público tenham garantia do direito de ir e vir utilizando o ônibus, mas também é convocada para agir no esclarecimento do conflito e na solução do mesmo, convocando as partes para que se posicionem, investigando as condições de trabalho e de salário de motoristas e cobradores, as cláusulas do acordo coletivo de trabalho e as negociações feitas posteriormente que, de acordo com os rodoviários, não foram assumidas pelos empresários e prefeitura.

A cidade está estrangulada. São trabalhadores que não conseguiram ontem chegar aos locais de trabalho e nem sair desses locais, parte deles tiveram que dobrar a jornada para cobrir a falta dos que não tiveram meio de se deslocarem. As dificuldades e a tensão dessa sexta-feira não estão encerradas, funcionam como ameaça a ser consumada nos dias seguintes e a qualquer momento. Espera-se que o prefeito de Manaus, Artur Neto, possa liderar uma interlocução que aproxime as partes e identifique as possibilidades de solucionar o conflito, garantir a funcionalidade do sistema de transporte e o cumprimento do que ficou acertado entre empresários, governo e trabalhadores. Há prejuízos que não poderão ser recompensados, como no caso da agonia que passageiros sofreram ontem ao serem surpreendidos pela greve, daí a importância de tratar esse assunto como questão séria.