Tuberculose ainda é um grande desafio
Dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que, por aqui, o número de novos casos para cada 100 mil habitantes é o maior entre as unidades da Federação.
É extremamente preocupante o fato de que o Amazonas lidera a taxa de infecção e mortalidade por tuberculose no País.
Dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que, por aqui, o número de novos casos para cada 100 mil habitantes é o maior entre as unidades da Federação.
A prevalência da doença no Estado atesta que precisamos atuar com mais acuidade sobre alguns aspectos. Afinal, o País convive com a tuberculose há séculos e existem métodos efetivos de prevenção e tratamento. Higiene adequada e vacinação estão entre as principais medidas preventivas.
Diante do cenário negativo, o Amazonas está tomando providências. Instituições estaduais estão agindo em conjunto com iniciativas federais para fortalecer a rede de atenção à saúde com foco especial na tuberculose.
Houve um tempo em que havia certa “romantização” dessa doença em nosso País. Chamada de “mal do século”, a enfermidade causada por uma bactéria patogênica – o bacilo de Koch – esteve associada à literatura romântica do século XIX, quando escritores usavam a moléstia para encerrar prematuramente a vida de personagens centrais em seus livros.
No século seguinte, a doença já era um grave problema de saúde pública, levando o governo a enfrentá-la de maneira mais organizada. Houve a reforma promovida por Carlos Chagas, a introdução da vacina BCG e de medicamentos eficazes que permitiram tratamento adequado.
Atualmente, o enfrentamento da tuberculose encontra certos obstáculos. Um deles é a queda na cobertura vacinal. Persiste no País certa resistência às vacinas, alimentada, inclusive, por proeminentes líderes políticos e religiosos.
Em 2021, por exemplo, a cobertura vacinal foi de 68%, segundo o Datasus, a menor em uma década. Hoje, está em 75%. Combater a desinformação sobre vacinas é imperioso.
Outra barreira é a má qualidade de vida e moradia de grande parte da população. A relação entre tuberculose e pobreza é direta: moradias precárias, superlotação e má nutrição criam condições favoráveis à proliferação da moléstia.
Como se vê, o combate à tuberculose é mais complexo que aparenta, mas perfeitamente exequível com alguma vontade política.