Turbulência à vista
Este não será um 7 de Setembro normal. Não resta dúvida de que a data pode ser decisiva para o futuro da Nação, com reflexos diretos nas eleições de 2022. Apoiadores do presidente da República devem tomar as ruas em diversas capitais, com possíveis ataques (que são diferentes de críticas) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, portanto, à própria democracia.
Desde a redemocratização, nossa ainda jovem democracia nunca esteve tão pressionada. Para desapontamento dos mais radicais, porém, dificilmente veremos a instauração de um regime autoritário no dia de hoje ou mesmo
nos seguintes. Algo assim só teria alguma chance de êxito se houvesse o apoio maciço da população. Não é o que mostram os dados. Aliás, a mobilização de hoje tem exatamente a função de fazer frente a esses dados, revelados por pesquisas realizadas por diferentes instituições.
O que essas pesquisas apontam é algo que atormenta o governo federal e seu principal mandatário: menos de um terço da população aprova o Executivo atualmente. Ao que tudo indica, a principal vítima da mobilização de hoje não será
a democracia, mas a já combalida economia nacional. O mero risco de ruptura institucional já é o bastante para frear investimentos, atrasar ainda mais a retomada das atividades econômicas e afastar investidores. Ou seja, os atos pró-governo apenas criam ainda mais dificuldade para o País como um todo.
As manifestações de hoje também devem acirrar a polarização no Brasil. É certo que os descontentes com o governo não vão ficar de braços cruzados. Novas manifestações, desta vez contra o governo, devem tomar as ruas, aumentando a fervura da crise política e institucional. Pior para o Brasil.
Infelizmente, as perspectivas para o futuro próximo são as piores possíveis: crise econômica, desemprego, crise hídrica pressionando a conta de luz e o agronegócio e uma crise institucional sem precedentes. Vamos todos nos preparar. Serão dias turbulentos.