Turbulências à vista
Silicon Valley Bank ocupava a posição de 16ª maior instituição bancária do país, posição alcançada em menos de três décadas no mercado, destacando-se por apostar em empresas de tecnologia.
A falência de um banco não é algo que ocorre todos os dias. Muito menos quando a instituição foca em negócios inovadores e com grande potencial. Mas foi o que aconteceu com o Silicon Valley Bank, principal banco para startups de tecnologia dos Estados Unidos. Ele ocupava a posição de 16ª maior instituição bancária do país, posição alcançada em menos de três décadas no mercado, destacando-se por apostar em empresas de tecnologia.
Uma notícia como essa desperta imediatamente o fantasma do Lehman Brothers, cuja falência em setembro de 2008 foi um dos pontos iniciais da crise financeira que começou naquele ano e que teria repercussões globais nos anos seguintes.
Porém, a maioria dos especialistas avalia que a quebra dos dois bancos não guarda paralelos entre si, ou seja, a falência do SVB não deve ser sintoma do estouro de nenhuma bolha com sérias repercussões internacionais como em 2008. A derrocada do SVB se deve, principalmente, à pura e simples má gestão. O banco fez apostas erradas, fez uma leitura equivocada do mercado e acabou enfrentando uma “corrida ao banco”, com muitas startups sacando recursos ao mesmo tempo, o que revelou que a instituição não tinha capital para atender todos os correntistas.
No entanto, o cenário inspira cuidados, tanto que o governo norte-americano tratou de declarar intervenção no Signature Bank e anunciar um programa de financiamentos para bancos com eventuais problemas de liquidez. Os impactos devem se concentrar mesmo nos Estados Unidos, mas o alerta amarelo se acendeu em todo o mundo.
O principal efeito negativo é a insegurança que se instala entre investidores. No Brasil, quem aplicou dinheiro em fintechs, bancos digitais que se multiplicaram sobremaneira no País ao longo da última década, está bastante ressabiado. Da mesma forma, quaisquer investimentos atrelados ao desempenho de startups começam a ver seus riscos aumentando rapidamente.
Ao cidadão comum, que, aparentemente, não tem nada a ver com isso, resta perceber que o momento é de redobrar a cautela na hora de investir, já que certa incerteza deve tomar conta do mercado nas próximas semanas e talvez até meses. Algumas turbulências são aguardadas. Vamos torcer para que fique só nisso.