Manaus qua, 21 out
A Crítica
Opinião

Um mês de angústia

Publicado em 14/04/2020 às 12h09 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h25
Um mês de angústia

O Amazonas acaba de completar um mês após o registro do primeiro caso de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. De lá para cá, a cidade de Manaus tornou-e o epicentro da pandemia na região Norte do País, com mais de 70 mortos e 1,2 mil casos da doença. Os motivos que levaram a isso são diversos: o fluxo de pessoas entre a capital amazonense e cidades do Sudeste, região mais afetada pela pandemia; concentração demográfica na capital, com 1,7 milhão de habitantes; e a baixa adesão da população, principalmente nas periferias, às medidas de isolamento social.

Na Zona Leste, por exemplo, exceto pelo fato de que muitas pessoas passaram a usar máscaras, há poucos indícios de que a cidade concentra mais de 70% dos óbitos por covid-19 e um crescimento acelerado no número de casos – mais de 1,2 mil até ontem -, situação que levou o Ministério da Saúde a tomar medidas emergenciais como aumentar o número de leitos e envio de equipamentos médicos. As feiras continuam lotadas e são comuns manifestações de alguns feirantes e clientes incrédulos com o chamam de “gripe fake”, uma invenção da mídia para desestabilizar o governo federal.

Manaus não utiliza recursos com os dados das redes de telefonia para avaliar o nível de adesão ao isolamento social – método usado no Sudeste, por exemplo -, mas rápida observação in loco em bairros das zonas leste e norte basta para constatar que a preocupação em se proteger e evitar aglomerações praticamente inexiste.

Em todos os lugares do mundo, o isolamento social tem sido usado como forma eficaz de conter o avanço do novo coronavírus e garantir que haja atendimento médico suficiente para os doentes ao longo do surto. Em Manaus não pode ser diferente. A única forma de vencermos o vírus será com maciça adesão do povo ao distanciamento social. O anunciado colapso do sistema público de saúde ainda não aconteceu e não acontecerá se cada um fizer sua parte nos próximos dias.

O ideal é que o povo não seja “obrigado” a ficar em casa, mas se conscientize de que é necessário fazê-lo agora para evitar o avanço descontrolado da doença, o que significará a perda de muitas vidas e uma demora ainda maior na retomada.