Um país apagado
É preciso encontrar respostas, identificar possíveis gargalos e falhas que causaram o blecaute, para que sejam corrigidos
Os brasileiros convivem desde sempre com blecautes e apagões. Quem vive no interior do Amazonas, conhece bem a realidade da energia precária, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos. Em 2009, um blecaute deixou 60 milhões de pessoas em 18 estados no escuro. O motivo alegado na época foi um curto-circuito provocado por um raio, o que acabou desligando a hidrelétrica de Itaipu. Em 2001, a situação foi mais grave: sofrendo com seca nos reservatórios, o País enfrentou meses de racionamento de energia.
De lá para cá, o governo federal tomou diversas providências para melhorar a eficiência e segurança energética do País. Após muito polêmica por conta de questões ambientais, a Usina Hidrelétrica de Santo Antonio foi inaugurada em março de 2012. Quatro anos depois, mais duas grandes hidrelétricas entraram em operação: Jirau e Belo Monte. Houve mudanças na infraestrutura de distribuição de energia, com o Amazonas, finalmente, sendo conectado ao Sistema Interligado Nacional. Há poucas semanas, o presidente Lula estava em Parintins anunciando a interligação daquele município por meio do Linhão de Tucuruí.
Diante de tudo isso, torna-se muito difícil compreender o que aconteceu na manhã de ontem. Como é possível que um blecaute nacional ainda seja mais que um risco no Brasil? Até a noite de ontem, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia no País, ainda não sabia o que de fato ocorreu. Nem mesmo ataques deliberados estavam descartados. O fato é gravíssimo: não só pelo transtorno causado à população, mas pelo forte impacto na indústria, onde uma hora de máquinas paradas significa prejuízos astronômicos. É um grande golpe também na própria credibilidade internacional do País no que diz respeito à geração e distribuição de energia.
É preciso encontrar respostas, identificar possíveis gargalos e falhas que causaram o blecaute, para que sejam corrigidos. Em meio a tudo isso, ressalte-se que a Eletrobras, ex-estatal brasileira que coordena as companhias do setor elétrico no Brasil, foi privatizada no ano passado, exatamente para que pudesse atuar com mais eficiência.