Um país em guerra
O Rio é famoso por esse esse tipo de contenda, mas o caráter nacional do conflito fica exposto quando sabemos que boa parte dos presos eram criminosos baseados no Pará.
O Brasil, em relação às demais nações, tem a grande vantagem de ser um País sem guerras, um território continental, onde há discordâncias, embates, intrigas, com boas relações com seus vizinhos e absolutamente nada que indique a premência de uma guerra, em termos tradicionais… Somos um país pacífico.
Infelizmente, não é bem assim.
É fato que o País está, há tempos, fatiado entre facções criminosas cujos proventos estão ancorados no tráfico de drogas, e — eis um fato que precisamos admitir — o País nunca quis combater com a devida proporção.
Hoje, inclusive em Manaus, convivemos com o fato de que facções criminosas dominam vastas áreas urbanas. A aparente paz significa apenas que a facção da vez não encontra adversário para tocar seus negócios em determinada região. É só quando esse equilíbrio falha que ocorrem os confrontos, como a guerra que ocorre neste momento no Rio de Janeiro.
O Rio é famoso por esse esse tipo de contenda, mas o caráter nacional do conflito fica exposto quando sabemos que boa parte dos presos eram criminosos baseados no Pará. Não precisa de nenhum investimento em inteligência para saber que Manaus está diretamente envolvida em tal situação.
Isso não é de agora. Há muitos anos, a rota do tráfico de drogas é bastante conhecida; há muito se sabe que Manaus faz parte da rota. Onde está o grande investimento federal no Amazonas visando o estrangulamento do fornecimento de drogas?
A rota é muito conhecida, toda a logística é de amplo conhecimento há muito tempo… mas pouco ou quase nada é feito. E o resultado é a guerra em andamento no Rio de Janeiro, que já conta com dezenas de mortos, muitos policiais, um número desconhecido de inocentes.
Já passou da hora da segurança pública deixar de ser tratada como questão estadual. É fato que o governo federal criou o Ministério da segurança pública, comandada por um ex-ministro do STF, mas também é fato que tal mudança não se refletiu em qualquer avanço significativo no combate ao crime organizado.
Tanto o governo federal como as administrações estaduais precisam admitir que o crime organizado é realmente organizado. A única maneira de derrotá-los será sendo mais organizado ainda. Isso demanda planejamento, investimentos e, principalmente, vontade política para tal.
O Brasil conseguirá tal feito? Tomara que sim, porque, se falhar, seremos um País governado por uma ou mais facções criminosas.