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A Crítica
Opinião

Vacina: tempo de angústia e esperança

Publicado em 23/01/2021 às 12h38 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h51
Vacina: tempo de angústia e esperança

O mecanismo Covax, iniciativa global para garantir acesso rápido e equitativo às vacinas contra a Covid-19 para todos os países, independentemente de seu nível de renda, anunciou ontem a assinatura de um acordo de compra antecipada com a Pfizer para até 40 milhões de doses da vacina candidata Pfizer-BioNTech, que já integra a lista de uso de emergência da OMS. A implementação começará com a negociação e execução bem-sucedidas dos contratos de fornecimento. 

Em apoio adicional à sua missão de acelerar a disponibilidade de vacinas para países de baixa renda e ajudar a encerrar rapidamente o estágio agudo da pandemia, o Covax também confirmou que exercerá uma opção – por meio de um acordo existente com Serum Institute of India – para receber suas primeiras 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford University. Destas primeiras 100 milhões de doses, a maioria está reservada para entrega no primeiro trimestre do ano, enquanto se aguarda a Lista de Uso de Emergência da OMS. 

A notícia é animadora diante de um cenário de escassez de imunizantes no Brasil, que provoca angústia e potencializa revoltas diante de evidências de erros e desvios na aplicação das preciosas doses já em solo nacional. O Brasil, que é signatário do Covax, demorou demais para "correr" atrás de outras possibilidades de imunizantes no mercado internacional. Estamos no fim da fila. A própria OMS anunciou os seus maiores contratos quando mais de 57 milhões de pessoas já foram vacinadas em todo o mundo. Mais de 17 milhões delas nos Estados Unidos. No Brasil, que começou atrasado – e com risco de ter que fazer pausas na campanha  –  foram aplicadas até ontem 245 mil doses. Precisamos urgentemente de mais.

A iniciativa aprovada ontem em colegiado de governadores de destinar 5% do total dos próximos lotes nacionais para o Amazonas é outro alento em tempos tão sombrios. Isso significa, caso a medida seja aplicada ao lote de 2 milhões de doses do imunizante da Astrazeneca/Oxford que chegou ontem ao País, que teremos em breve mais 100 mil pessoas do grupo de risco vacinadas. Isso porque, conforme explicou a Fiocruz, responsável pela produção dessa vacina em solo nacional (com previsão de entrega dos primeiros milhões em março), não há necessidade de guardar a segunda dose. Todas as doses desse lote da Astrazeneca podem ser aplicadas porque o intervalo para a segunda dose é de 12 semanas. Maior que o da Coronavac e suficiente para que já tenhamos a produção nacional a todo vapor (e virão dai as segundas doses).