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A Crítica
Opinião

Vacinação e política

Publicado em 22/08/2018 às 11h02 · Atualizado em 13/03/2022 às 23h04
Vacinação e política

Dados divulgados por setores da área de saúde pública (estadual e municipal) mostram a fragilidade da cobertura vacinal no Amazonas, principalmente nas cidades do interior, onde os índices de alcance da medida preventiva estão no limite do que é recomendando pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos de sarampo no Brasil, com registros de mortes, merecem ser avaliados em diferentes dimensões porque servem para balizar a conduta da autoridade pública no setor de saúde quanto à política nacional de vacinação.

É importante perceber o processo de precarização das ações de vacinação ora porque o controle de doenças parece ter influenciado no relaxamento das condutas de vigilância ora pelo desmantelamento dos programas de prevenção por parte do Governo Federal. Os grupos de especialistas constituídos em diferentes esferas ao longo dos anos e que foram responsáveis por constituir e manter a eficácia de uma rede técnica de monitoramento passaram a ser substituídos ou colocados em segundo plano na medida em que as crises de ordem ética e política foram agudizadas e para garantir apoios, o governo passou a oferecer cargos em larga escala a pessoas cuja aptidão estava muito distante dos compromissos de servidores públicos e do interesse público.

A saúde pública no Brasil demonstra um aspecto do efeito do desmantelamento das políticas governamentais e públicas. Os demais sinais serão sentidos a médio e longo prazo quando a população usuária se der conta do tamanho do retrocesso realizado e o quanto será necessário ser feito para minimizar os problemas quando o desejável era manter os avanços em continuidade e o aperfeiçoamento dos programas.

A partir da epidemia de sarampo, ficam evidentes a falta de compromisso e de competência governamentais para constituir estratégias de enfrentamento às doenças que estão reaparecendo no País. Nas regiões onde o quadro de endemias é mais resistente e o tratamento mais difícil, o trabalho de prevenção e de combate assume outra dimensão e é mais crítico. No Amazonas, o que os números apresentam é parte dessa realidade difícil e, por vezes, ignorada que só solta aos olhos a partir das mortes ou das denúncias de situações de calamidades no interior do Estado.