Vacinar é exercício de cidadania
As campanhas estão na rua ao mesmo tempo que indicadores apontam para apatia dos que devem ser vacinados no atendimento a esse chamado
O mês de novembro termina com algumas tarefas necessárias para serem cumpridas e não são aquelas mais difíceis ou que representem a exigência de investir recursos financeiros. São vacinações. Mesmo com algum grau de dificuldade, uma rede pública funciona para garantir, em especial, as vacinas às populações mais vulneráveis, crianças, grávidas e idosos e aos grupos prioritários.
As campanhas estão na rua ao mesmo tempo que indicadores apontam para apatia dos que devem ser vacinados no atendimento a esse chamado. O dado é antigo, agravado a partir de outras mobilizações político-religiosas que em diferentes regiões do mundo se destacaram pelo negacionismo e a produção de mentiras sobre os efeitos das vacinas. A tática surtiu efeitos e permanece sendo cultivada nas conversas de grupos de amigos e de familiares no WhatsApp.
A modelagem da campanha de vacinação está se dando, incluindo outras performances na tentativa de ampliar a participação popular e, consequentemente, a cobertura vacinal no Brasil que experimentou recuos preocupantes e favorece ao retorno e doenças que há décadas estavam controladas. Em algumas regiões brasileiras, como o Norte, o comportamento da sociedade implica numa crítica condição de saúde dos vários segmentos sociais.
Levantamentos dos órgãos de saúde apontam o Estado de Roraima como o de menor cobertura por vacinas, a população imunizada é de 29,9%. Dos sete estados da Região Norte, quatro apresentam baixa imunização, 30%. Quando se trata da vacina contra gripe, é nessa região que reside o menor índice do País – 28.3%. Por que prevalece essa atitude? Com ela, vêm os adoecimentos, números pacientes em unidades de atendimento lotadas, sobrecarregadas, enfim, um efeito em série que gera prejuízos pessoais e econômicos.
Que as tarefas deste final de novembro e de ano possam ser cumpridas, com iniciativas de animação e apoio para o Amazonas avançar na cobertura vacinal, sair do quadro de baixa participação popular. É possível progressivamente instituir o respeito a esse procedimento que deve ser feito anualmente como um dos exercícios de cidadania. As áreas endêmicas do Amazonas e da Amazônia são objeto de pesquisas permanente, a despeito de verbas escassas, constituem-se em referências científicas de relevância. Os estudos, a maioria deles, frutos de investimentos públicos, estão colocados como um bem à disposição dos governos, do setor de serviço e de toda a população. As vacinas disponibilizadas são expressões desse movimento.