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A Crítica
Opinião

Vacinas acompanhadas com ‘lupa’

Publicado em 09/02/2021 às 11h07 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h26
Vacinas acompanhadas com ‘lupa’

Os brasileiros acompanham com um misto de terror e esperança as notícias sobre eficácia e compra de vacinas. No fim da semana passada, membros do Ministério da Saúde se reuniram com representantes de laboratórios russo e indiano para providenciar a liberação de 30 milhões de doses adicionais de vacinas contra a Covid-19 Trata-se de um acordo essencial para o avanço da campanha brasileira de imunização que, infelizmente, avança a passos claudicantes. Não chegam a 4 milhões os brasileiros que já receberam a primeira dose (127 mil no Amazonas), o equivalente a menos de um terço do total de pessoas já contaminadas pelo vírus e apenas 1,6% da população brasileira – que passa de 209 milhões.

Um sucesso na negociação com os laboratórios permitirá que, até março, o governo federal possa contar com 46,9 milhões de doses, 30 milhões delas são as novas Sputnik V e Covaxin – cuja compra se tornou possível após a flexibilização da regra pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Infelizmente, esse volume ainda está muito distante do suficiente para atingir a chamada “imunidade coletiva”. Em tese estaremos nesse patamar quando mais de 50% dos habitantes forem atendidos por duas doses da vacina. Para isso, precisamos no mínimo 200 milhões de doses (até o momento, apenas uma das vacinas já criadas é apenas em uma dose – e ela ainda não está sendo aplicada em nenhum país do mundo).

Uma das poucas apostas feitas com previdência na pandemia, o contrato com o consórcio internacional Covax fornecerá cerca de 6 milhões de doses no primeiro trimestre deste ano e outros 3 milhões somente no segundo semestre, ainda longe dos 14 milhões esperados inicialmente.

A morosidade na decisão de encomendar as vacinas, em alguns casos por ideias preconcebidas sem embasamento científico, tem custado caro ao Brasil. Nações como Canadá, Reino Unido e México já possuem contratos fechados que permitem vacinar com sobra sua população sem se exporem à disparada de preços forçada pela concorrência internacional. O Canadá contratou três vezes o número necessário de doses. Para o Brasil, país que teve seu programa de vacinação considerado um exemplo mundial, isso é motivo de vergonha.