Valorização do patrimônio histórico
Mais de 850 anos de história, cultura e arte queimaram ontem na cidade de Paris, no incêndio que consumiu parte da Catedral de Notre-Dame, na França. O incêndio, provavelmente um acidente, causou comoção mundial pelo significado da construção, que é um dos símbolos de Paris e expoente mundial da arquitetura gótica. Felizmente, a catedral que foi palco da coroação de reis, julgamento dos últimos templários e beatificação de Joana D`Arc, entre tantos outros momentos históricos, sobreviverá. A estrutura principal foi preservada das chamas e a igreja deve ser restaurada, conforme anunciou o presidente francês Emmanuel Macron.
O acidente, no entanto, é também um importante alerta para a necessidade de atenção e cuidado com o nosso patrimônio histórico e cultural. Os governos e a própria sociedade parecem só se dar conta da relevância de prédios históricos diante da iminência de perdê-los.
No ano passado, os brasileiros tiveram um alerta semelhante ao dos parisienses, quando um incêndio destruiu o Museu Nacional, uma das edificações de valor histórico imensurável para o País. Sobre o incêndio que ocorreu há sete meses, já se sabe que a falta de manutenção adequada está entre as principais causas do desastre. As chamas começaram em aparelhos de ar-condicionado instalados de forma equivocada. Isso está diretamente relacionado à falta de prioridade que se dá à cultura. Prova disso é que antes do incêndio, o museu sofria com a constante redução no repasse de verbas, um problema que ainda persiste.
Em Manaus não é diferente. O Centro da cidade apresenta uma infinidade de prédios que presenciaram a história da capital e que hoje se deterioram a cada dia, em completo abandono, ou foram desfigurados para abrigar lojas e órgãos públicos. Um dos exemplos mais marcantes é a prédio da Santa Casa de Misericórdia, o primeiro hospital construído especificamente para esta finalidade no Amazonas, há mais de cem anos. A despeito de seu valor histórico para a cidade, o prédio está abandonado há quase 15 anos, caindo aos pedaços sem que o poder público tome qualquer providência.
Não precisamos esperar por incêndios e outras tragédias para valorizar nossa própria história e cultura. Temos que cuidar do que é nosso agora. É preciso cobrar atitudes concretas do poder público e também agir enquanto sociedade na defesa de nosso patrimônio.