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A Crítica
Opinião

Velho drama das cheias

Publicado em 30/05/2019 às 11h14 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h40
Velho drama das cheias

Novamente, muitas cidades do interior do Amazonas decretam situação de emergência em face da cheia dos rios que, em alguns casos, como em Anamã, deixa debaixo d’água toda a sede do município. O cenário é de sério risco à saúde pública, sem falar na quantidade de pessoas que ficam desalojadas. A notícia, porém, não é nova. A cheia se repete todos os anos, com maior ou menor intensidade, e vem ficando mais grave como resultado das mudanças climáticas que muitos governantes ainda insistem em ignorar.

É fato que a intensidade das cheias aumentou de forma acentuada nos últimos dez anos, prejudicando principalmente o povo do interior, que sofre com alagamentos e perda da produção rural. Tudo indica que as cheias intensas vão continuar. Precisamos nos adaptar a essa realidade, enquanto o mundo não encontra uma forma de conter o aquecimento global. É preciso mapear os municípios afetados com maior intensidade e montar um plano estratégico para atender a população. No caso de Anamã e de outros cidades mais expostas aos rigores da cheia, é necessário desenvolver soluções criativas.

O Estado do Amazonas, as prefeituras municipais e a própria população  precisam aprender a  lidar com o drama da cheia. Desde 2008, houve cinco grandes enchentes. A ação do poder público não pode ser a de quem é pego de surpresa. É perfeitamente possível calcular a intensidade da cheia  e tomar medidas preventivas como identificar os municípios em maior risco, remover famílias antecipadamente, providenciar abastecimento de água potável e ajuda humanitária onde for necessário. Planejamento estratégico é indispensável.

Também é indispensável adotar uma postura crítica em relação às mudanças climáticas, fenômeno apontado pela comunidade científica como principal responsável pela alteração no regime dos rios. Trata-se de um fato e as nações precisam tomar medidas urgentes em relação a isso. A Amazônia tem um papel fundamental nesse debate, uma vez que a região é tida como indispensável para o equilíbrio do clima na Terra. Apesar do ímpeto do agronegócio e de sua importância para a economia, mais do que nunca, é indispensável proteger as florestas.