Violência asfixia sentido do Natal
A quatro dias do Natal, Manaus expressa a explosão da cultura de violência. Representantes de instituições das diversas áreas e de diferentes movimentos sociais, dos governos têm diante de si um quadro que pede olhar mais atencioso a fim de obter compreensão mais ampla e propor medidas que possam enfrentar essa prática.
O drama de crianças, bebês e com mais idade, espancadas, abandonadas, lançadas à morte, violadas, por parentes próximos e ou conhecidos é notícia diária. Somam-se a esses relatos as violências cometidas contra adolescentes e jovens, às mulheres, à população negra e aos povos indígenas. O cotidiano da cidade tornou-se lugar de comunicação violenta, do trânsito nas ruas ao do transitar com carrinhos nos supermercados, encontros para confraternizar são transformados em espetáculo do grotesco da ação humana.
É possível que a pandemia da Covid-19 seja apontada como motivo para o agravamento das relações sociais. E de fato o fantasma do vírus promove desacertos enquanto o vírus real ataca, adoece e mata. Não conseguiu, no geral, alterar condutas sociais marcadas pelo sentimento da desforra, da competição a qualquer custo e de um estilo de vida que se coaduna aos preceitos da exploração de humanos e não humanos. Motivados por líderes para os quais a vida importa pouco, milhares de pessoas não revela afetação com os números produzidos pelo novo coronavirus que vão dos infectados, os mortos e aos mais de 14 milhões sem trabalho.
As autoridades, se motivadas pela necessidade de entender esse momento, podem aprender que se não houver intervenção adequada os problemas irão aparecer nas diferentes formas de adoecimento e exigirão respostas imediatas. Nas ruas, nas portas dos hospitais, nas casas, no que é hoje o ambiente de trabalho. Faltarão recursos financeiros para investir em ações imediatas para lidar com o resultado de tais práticas.
Se a comunicação mais estimulada e exercitada é a da violência, como ora ocorre, uma parcela expressiva da sociedade responderá atendendo a esse estimulo. É difícil lidar com a cultura da violência, não é impossível, exige coragem e estratégias para dar visibilidade a outras experiências, outra linguagem que se faz pela empatia, pelo respeito ao outro, por querer verdadeiramente a equidade. O vírus da violência na política, na relação interpessoal e institucional é pandêmico e mata.