Violência obstétrica reforçada
A decisão do Ministério da Saúde de vetar a expressão violência obstétrica é mais um dos atos se não descabidos, inadequados tomados por setores governamentais. Neste caso, não se trata de uma disputa por espaço entre profissionais da saúde e sim da violência de fato da qual têm sido vítimas a mulher grávida e o feto principalmente na hora do parto.
A medicina, cuja representação organizacional é contra o emprego dessa expressão, deveria fazer o outro caminho que exige tomar conhecimento de fato do que ocorre, porque ocorre e iniciar uma série de procedimentos para superar esse tipo de conduta. Não é uma ficção, as denúncias sobre procedimentos violentos a mulheres grávidas vêm sendo feitas em todo o País e, pela primeira vez, o assunto se constituiu em pauta dos movimentos sociais, em especial os que trabalham com mulheres, de categorias profissionais e de estudantes.
O que necessita ser feito é tomar medidas que superem a prática de violência contra a mulher grávida e não naturalizá-la. A medida do Ministério da Saúde faz o gesto contrário e atende a uma única voz, a da medicina, e tenta impedir que as outras vozes se manifestem e sejam ouvidas. Se mantida essa postura, o País comete mais um retrocesso e autoriza a repetição desses atos violentos.
Os profissionais de medicina e o processo de formação médica têm a chance de trabalhar uma nova formação onde casos como o da violência obstétrica seriam analisados como matéria importante. Está na humanização da medicina a possibilidade de estabelecer novos parâmetros que influenciem positivamente os novos médicos e suas rotinas. O que faz o ministro da Saúde em relação a conduta obstétrica violenta? Irá ignorar os relatos que apontam para a existência de um comportamento violento que há muito marca a relação médico/paciente?
Que o legislativo e o judiciário possam ver essa medida e defenderem as mulheres vítimas; que levem a direção do Ministério da Saúde a voltar atrás e tomar uma atitude capaz de considerar o quadro crítico que essa questão envolve e instaurar procedimentos de reparação e de controle para que obstetras tenham uma conduta responsável, ética e humanizada ao tratarem com suas pacientes.