Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Viver a Páscoa pede execícios diários

Viver a Páscoa é voltar a pergunta para si, refletir sobre as atitudes tomadas em cada ambiente, do privado ao público, frequentado

Publicado em 19/04/2025 às 11h02
Viver a Páscoa pede execícios diários
Foto: Reprodução/Internet

O ciclo mundialmente conhecido como Semana Santa chega neste domingo ao evento da ressureição, só possível por todos os acontecimentos anteriores. A Páscoa envolve significados e  oportunidades diversos e, no princípio, é chave para a humanidade e ou os cristãos espalhados confirmarem a fé e o direito à vida com dignidade.

Passar da condição de morte à vida renovada é, na atualidade, um  difícil exercício do individuo ou de grupo sociais. Carrega na sua singeleza a beleza humana, capaz de avaliar, reavaliar, mudar atitude, construir ponte de revitalização dos valores humanos.

Em guerra, a sociedade global esgota a condição humanizadora dos humanos e se vê refém da lógica consumista instituída e gestada para gerar endividamentos de milhões de pessoas, deslocamentos  permanente de grande leva de indivíduos, exploração desmedida da natureza, promoção da violência como instância máxima das relações, adoecimentos, angústia e morte.

Viver a Páscoa é voltar a pergunta para si, refletir sobre as atitudes  tomadas em cada ambiente, do privado ao público, frequentado. O ritual de passagem exige ir além do domingo de celebração da vida sobre a morte e leva-la como proposta de vida nos dias seguintes. Não se faz a Páscoa em um único dia, ela é processo contínuo pessoal e coletivo, pede lembrança sobre os atos, a leitura das realidades, a busca do conhecimento que possibilite ter autonomia e liberdade para diante da pressão da máquina de trituração humana poder responder o mais próximo possível do bom, do belo e do justo.

A acumulação material, um dos esteios da produção dos transtornos e da morte, desafia a determinação e a vontade de fazer diferente, daí a necessidade de perceber a chave da Páscoa como movimento do corpo e da mente de todos os dias. Há, para milhares de pessoas, um entendimento de que houve um Cristo encarnado que andou entre os humanos, escutou e falou, reuniu gente diferente, propôs uma pauta e em nome dela tornou-se andarilho, foi perseguido, traído, torturado e morto.

E ressuscitou no terceiro dia deixando um legado que não deveria ser manipulado para outros fins, como o é hoje, e sim na dimensão do sagrado que se exprime na expressão do amor maior e pede,  novamente, alianças dos humanos em favor da dignidade dessa espécie e do respeito às outras espécies.