Voto e responsabilidade
A 14 dias do primeiro turno das eleições, acirram-se os embates nas redes sociais, os estrategistas de campanha dos candidatos se desdobram para conquistar votos dos indecisos na reta final. No entanto, um detalhe precisa de um tratamento particular: as pessoas podem até ter decidido em quem votar para alguns dos cargos em disputa, mas a maioria simplesmente não sabe o número de tal candidato.
Não é culpa dos eleitores. Afinal não é fácil decorar os números de seis candidatos: presidente da República, governador, deputado estadual, deputado federal e dois senadores. São 20 algarismos no total.
É fato que, infelizmente, uma parcela significativa de eleitores decide em quem votar no dia da eleição, muitas vezes, a caminho da urna. Não é à toa que ainda há candidatos que insistem na campanha de boca de urna, apesar de ser proibida pela legislação. Esse também é o motivo de tantos santinhos emporcalhando as ruas próximas aos locais de votação, a despeito da vedação legal que pune o candidato porcalhão.
Desnecessário mencionar que atitudes como deixar a escolha para a última hora e decidir o voto com base no santinho entregue por um “amigo” a caminho da votação são danosas à democracia. As urnas reproduzem de forma fiel a vontade dos eleitores. Se muitos deixarem de votar ou votarem sem a devida responsabilidade que deve ser inerente ao ato, isso estará expresso no resultado final.
É natural que haja indignação generalizada entre os eleitores em face de tanta corrupção e ausência de expectativa de mudanças em curto prazo. Muitas pessoas estão decididas a adotar o voto nulo ou em branco como forma de protesto. Esta é uma das razões para tanta gente não saber ainda o número de seus candidatos: são pessoas nem pretendem ter candidatos.
Mas esse “protesto” é equivocado. Ao omitir-se, o eleitor apenas colabora para a manutenção dos políticos profissionais, que mobilizam uma massa de manobra a seu favor. O melhor protesto é votar com consciência, escolhendo candidatos de forma criteriosa, eliminando os fichas-sujas, os que não atuaram de forma proveitosa em seus mandatos – no caso dos que já estão na vida pública -, os que não apresentam propostas que venham ao encontro do que se espera do representante. Mais do que nunca, votar é preciso.