Vulneráveis dentro e fora de casa
É fato que a pandemia ampliou a vulnerabilidade das crianças e adolescentes no Brasil, ampliando sua exposição a abusos e violência. Dados do Sistema Nacional de Proteção à Infância atestam que houve um aumento nos casos de violência infantil desde março, quando a pandemia começou a se agravar no País. Confinadas por longos períodos, aos cuidados de adultos pressionados e emocionalmente abalados por todo o panorama oriundo da pandemia, a situação das crianças é das mais delicadas e exige atenção máxima.
Além disso, há o caso daquelas que são exploradas também fora de casa, usadas frequentemente pelos próprios pais, para servir como fonte de renda nas ruas diante do empobrecimento geral. O cenário tende a se agravar com o fim do auxílio emergencial a partir de janeiro.
Uma medida que amenizaria esse quadro seria o retorno seguro das crianças à escola, onde encontrariam um ambiente trabalhado especialmente para elas, e manteriam contato com outras crianças, adolescentes e professores. Essa é a opinião da chefe do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Manaus, Debora Nandja. O problema é que tal retorno só será seguro com a pandemia sob controle, o que depende da imunização da população. Algo que não tem data para acontecer e parece não estar entre as prioridades do governo federal.
Mas os problemas relacionados à segurança de crianças e adolescentes não se restringe aos efeitos da covid-19. Há outras questões muito sérias e históricas que impactam sobretudo a saúde e o bem estar dos menores. É o caso do saneamento básico. No ranking das dez piores cidades em coleta de esgoto, Manaus é a sexta colocada com apenas 12,43% da população beneficiada, segundo o Relatório Trata Brasil como base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Nesse ponto, como em tantos outros, a atuação do poder público é fundamental.
Manaus nunca aderiu às metas propostas pela Unicef, mas o prefeito eleito da capital assinou documento – durante a campanha – em que afirma a priorização de políticas voltadas para crianças e adolescentes. Em período eleitoral, são comuns declarações de candidatos assumindo todo tipo de compromisso que possa sensibilizar o eleitorado. A sociedade espera que este não seja o caso desta vez.