ZFM entre a lentidão e os paliativos
Está cada vez mais difícil às empresas permanecerem na cidade
O decreto do governo federal que oficializa a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em até 35% já realidade desde a publicação na edição do dia 29 do Diário Oficial da União (DOU). Para as empresas do polo industrial de Manaus a medida é mais uma tacada certeira nas vantagens competitivas da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Entre os nove segmentos beneficiados, está o de aparelhos de TV e de som, uma das principais bases do PIM. A previsão do setor era de ampliar produção, geração de postos de trabalho e lucro com o incremento das vendas motivo pela Copa do Mundo de Futebol, em novembro. A realização desse tipo de competição impacta positivamente nos negócios da área.
O polo de TV da ZFM já vem sofrendo com a perda de competitividade. No ano passado, a Panasonic encerrou suas atividades no PIM, antes a Sony fechou a planta em Manaus após 48 anos da sua implantação. O número de empresas que estão deixando o parque local e ou ajustando seus negócios a partir da ZFM cresce na medida em que a política de incentivos do modelo Zona Franca, baseado em isenção de tributos federais.
Quando o governo federal, por meio do ministério da Economia, reduz tributos para tentar resolver, em nível nacional, dificuldades impostas ao segmento industrial e ajudar na recuperação da economia, acerta as especificidades do modelo ZFM que é incentivado. O dilema imposto ao Polo Industrial de Manaus e à sociedade amazonense é que de modo geral os atos governamentais são editados sem considerar a agência regional de desenvolvimento.
Para empresários instalados em Manaus, como afirmam lideranças, está cada vez mais difícil permanecer na cidade porque as chamadas vantagens competitivas que lhes foram oferecidas como garantia de instalação e operacionalização estão desaparecendo. Não haveria razão econômica na permanência nesse polo e, sim, há motivações mais lucrativas para se instalarem outras regiões mais próximas dos principais mercados consumidores.
A lentidão com que governos, legisladores e segmentos empresarias e de trabalhadores atuam na defesa real da ZFM é notória. Para evitar indisposição com o governante de plantão costumam esperar por promessas que não são cumpridas e, nessa atitude, ajudam a agravar o problema. Aceitam medidas paliativas.