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A Crítica
Opinião

ZFM na encruzilhada, de novo

Geraldo Alckmin, recém nomeado ministro, já tomou inúmeras atitudes contra a Zona Franca de Manaus, principal motor da economia do Amazonas. Ele fez isso anos trás, quando estava na condição de governador de São Paulo

Publicado em 23/12/2022 às 09h03
ZFM na encruzilhada, de novo
Foto: Divulgação

Sim, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, já tomou inúmeras atitudes contra a Zona Franca de Manaus, principal motor da economia do Amazonas. Ele fez isso anos trás, quando estava na condição de governador de São Paulo. Nessa situação, Alckmin travou a conhecida “guerra fiscal”, quando um governo estadual oferece incentivos fiscais até proibitivos do ponto de vista da arrecadação, apenas para atrair investimentos industriais. Há uma leitura muito seca a respeito desse assunto: o então governador tinha a obrigação de defender com unhas, dentes e o que mais estivesse disponível, os interesses do Estado de São Paulo. E cabe lembrar que São Paulo é o adversário natural da Zona Franca quando se fala de atração de investimentos. 

Todos sabemos que o Estado de São Paulo é o principal centro industrial do País, e só não tem uma representatividade absoluta porque existe a Zona Franca de Manaus, que concentra setores fortes como a indústria de duas rodas e de eletroeletrônicos. Tais segmentos apenas se concentram em Manaus por causa dos incentivos fiscais. Acabe com eles, e todas as empresas vão embora, como já foi exaustivamente demonstrado na prática nos últimos anos. 

Os representantes da indústria do Sudeste fazem questão de ignorar o motivo que colocou a Zona Franca de Manaus sob proteção constitucional. E é um motivo óbvio e bastante simples: existe a necessidade de tratar os desiguais de maneira desigual, na medida da sua desigualdade, com o objetivo de acabar com a aludida desigualdade. A Zona Franca oferece incentivos exatamente porque, sem eles, nenhuma indústria viria para investir em transformação no meio da floresta. Não deixa de ser uma muleta, mas é um apoio necessário, para estimular o crescimento econômico enquanto a região busca outras alternativas. Esse entendimento precisa estar bem enraizado, não apenas no novo governo, mas também nos próximos. Daí a necessidade de construir um planejamento estruturado e de longo prazo para a ZFM. 

Podemos pensar que o início de um novo governo, tendo um antigo inimigo da ZFM no comando do ministério que vai comandar a Suframa, é um mal começo. No entanto, não podemos esquecer que o cenário agora é outro. Geraldo Alckmin terá que se portar como ministro de uma nação, e atuar segundo as demandas do cargo.