ZFM, sob ataques externos e internos
Aos 53 anos, a principal agência de desenvolvimento do Estado do Amazonas e de parte da Amazônia Ocidental acaba de receber um presente típico de batalhas travadas na velha Grécia. Não é o primeiro golpe dado à Zona Franca de Manaus, é mais um a longo da existência desse modelo. O que o diferencia e o torna mais ameaçador são alguns elementos do contexto atual tais como a disposição do governo em desidratar o sistema ZFM, a série de atos efetivados, a instabilidade político-econômica brasileira e a data marcada para, praticamente, encerrar as vantagens comparativas que as indústrias instaladas nesta região possuem.
Outro dado é que os atores dos poderes executivo e do legislativo do Estado do Amazonas, principalmente a bancada de 11 parlamentares no Congresso Nacional, tem atuado, em maioria, numa postura de aceitação à postura do governo, opta por compartilhar vídeos e falas de autoridades, mais interessada em obter dividendos eleitorais que agir em nome dos interesses do Amazonas. Enquanto as medidas são tomadas e vão sendo consolidadas, exatamente como representantes do governo prometeram fazer: sangrar a ZM até à morte.
Medidas isoladas, personalistas, conduta subserviente e até conhecimento raso sobre as características e implicações que envolvem o modelo ZFM e a repercussão deste na vida do Amazonas repetem-se ao longo desse meio século como conduta política de atuação daqueles que se colocam como salvadores da pátria Zona Franca. As lições do passado não foram lidas e não interessam, ao que parece, ao final de cada cena, é que manter a funcionalidade efetiva do Parque Industrial de Manaus é menos importante do que assegurar compartilhamentos nas redes socais de determinadas postagens.
Faltam tomadas de decisões conjuntas, envolvendo os governos municipais, o governo do Estado, os legislativos, o empresariado e os trabalhadores. Esfacelada e vaidosa, a atitude de defesa da ZFM no âmbito do Amazonas pode oferecer à equipe econômica do governo federal tem respostas sobre como e continuará agindo, que tipo de pacto faz e fará na discussão dessa questão. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com data marcada para vigorar com porcentual nada atraente, como determina medida provisória, recém editada, o Governo Federal mantém a desestabilização do PIM e empurra para baixo a ZFM.