Zona Franca de Manaus entre tapas e beijos
A contradição utilizada pelo governo federal no trato da Zona Franca de Manaus reforça o clima de instabilidade quanto o grau de segurança do Polo Industrial em futuro imediato. Empresários e parlamentares pelo Amazonas abandonaram a postura de cautela prolongada e de silêncio em relação à conduta de setores estratégicos do governo e manifestaram-se de forma mais crítica sobre esse tipo de comportamento.
Enquanto o presidente Jair Bolsonaro comentava positivamente a posição tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 25, com o deputado federal Átila Lins, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticava a decisão do Supremo. Nesta matéria, não há a tranquilidade a que se referiu o presidente da República, como se o assunto estive encerrado e, sim, há turbulência a vista, pressão manifestada desde o princípio por Guedes que é a figura escolhida pelo presidente para gerir a política econômico-financeira do País. O ministro não faz nenhum esforço para amenizar o seu posicionamento contrário ao modelo ZFM. A série de declarações feitas por Guedes a respeito da Zona Franca de Manaus é suficiente para revelar o desconforto e até à rejeição a essa agência de desenvolvimento regional.
Sobre a decisão do STF, Guedes disse: “decididamente o Supremo, criando um buraco adicional de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões com uma decisão, dificulta essa solução do problema fiscal. É um problema econômico. Estamos assistindo a uma judicialização e a uma defesa”. Logo, o assunto ZFM não está esgotado nem vive uma trégua no espaço do governo federal. Retomamos o alerta já feito de que os governos estadual e municipal, a Superintendência da ZFM, os líderes empresariais, de trabalhadores do PIM, os parlamentares precisam constituir uma forma de monitoramento eficiente para tratar dos caminhos desse modelo, dos acertos que precisa fazer e do reforço de esclarecimento à opinião pública nacional a fim de retirar da ZFM a imagem negativa construída sobre ela e enfrentar, com criatividade, as distorções atribuídas ao modelo que passaram a ser tratadas nacionalmente como se fossem reais. É estratégico e é necessário superar esse nível de desgaste.
Uma marca histórica nas autoridades que administram o País a partir de Brasília é manter o olhar distanciado e, por vezes, ignorante sobre a realidade de outras regiões brasileiras. Cabe as forças políticas locais atuarem para reduzir o desconhecimento.