Zona Franca mostra força
A produção se expandiu em um cenário de juros e inflação em alta, uma combinação que sempre resulta em retração do consumo, impactando, frequentemente, na produção de bens duráveis
Apesar do leve recuo observado em setembro na comparação com o mês anterior, a indústria amazonense tem motivos para comemorar: houve alta superior a 13% na produção industrial em relação a setembro de 2021. Trata-se de uma expansão que se reveste de um significado especial quando lembramos que o modelo industrial amazonense passou os últimos anos sob ataque constante, inclusive do governo federal, que adotou uma política manifestamente contrária à concessão de incentivos fiscais, mesmo que tais benefícios contem com respaldo constitucional.
Novamente, a Zona Franca de Manaus mostra força em meio às adversidades. A produção se expandiu em um cenário de juros e inflação em alta, uma combinação que sempre resulta em retração do consumo, impactando, frequentemente, na produção de bens duráveis.
Isso tudo sem mencionar a insegurança que se instalou sobre a solidez dos incentivos fiscais que sustentam o modelo. Nos últimos anos, foram sucessivas as canetadas que reduziram a competitividade de segmentos-chave na indústria local, como bebidas. A redução drástica na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) atingiu em cheio a produção amazonense, e a normalidade não foi, e provavelmente não será, restabelecida.
Uma nova gestão federal está se organizando, e cresce a expectativa de dias mais tranquilos para a Zona Franca de Manaus. No entanto, a chegada do novo governo, com novas diretrizes na área econômica, não significa, necessariamente, que o modelo de desenvolvimento do Amazonas estará a salvo. Há uma série de fatores que não podem sair do radar das lideranças políticas e empresariais do Estado. Uma delas é a reforma tributária, pauta obrigatória do novo Congresso Nacional. Os representantes eleitos do Amazonas tem a obrigação de já iniciar conversas no sentido de preservar o modelo local em meio à transformação que virá, e mais que isso, promover seu crescimento e fortalecimento.
A Zona Franca segue apresentando bons resultados em meio ao caos, mas a resiliência do modelo tem limites. Após anos seguidos de dificuldades, vivemos a oportunidade ímpar de atuar nas condições que podem tornar o modelo mais forte, sem abandonar iniciativas que visem a diversificação da base econômica do Amazonas.