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A Crítica
Opinião

Zona Franca resiliente

Publicado em 05/10/2021 às 10h31 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h19
Zona Franca resiliente

Toda a indústria nacional sofre, e continuará sofrendo ainda por um bom tempo, os efeitos da pandemia de covid-19, com baixas na produção, nas vendas e na geração de empregos. Na Zona Franca de Manaus as consequências da crise sanitária também estão presentes, mas o modelo amazonense apresenta números que evidenciam um ritmo de recuperação superior ao que se observa na indústria nacional como um todo. O faturamento, por exemplo, superou R$ 87 bilhões no resultado acumulado de janeiro a julho deste ano, o que significa alta de 52,5% na comparação com igual período do ano passado. A média de empregos mantém-se acima dos 100 mil postos de trabalho e as exportações continuam em alta.

Enquanto isso, a indústria nacional, por outro lado, amarga queda de 6,4% no faturamento registrado nos primeiros oito meses de 2021. Só em agosto, o recuo foi de 3,4% em relação a julho. É claro que a Zona Franca não está imune a dificuldades. A cotação elevada do dólar, por exemplo, encarece a aquisição de insumos importados, e o mundo todo sofre com a falta de determinados componentes e materiais. Mas é inegável que, mais uma vez, a indústria amazonense dá relevante demonstração de resiliência em face das adversidades.

Tais resultados, porém, alimentam a animosidade dos detratores do modelo, inclusive dentro do próprio governo federal, de onde já partiram sucessivos ataques. Com a indústria nacional em agonia, o fato de Manaus gozar de incentivos fiscais exclusivos e mostrar bom desempenho a despeito do cenário adverso alimenta o ímpeto dos críticos. Cabe às lideranças políticas e empresariais do Estado mostrar que o desempenho atual da ZFM apenas acentua as virtudes do modelo e deve ser argumento para pleitear maior apoio. Quais seriam os resultados se o polo não tivesse sido desmobilizado nos últimos anos? Ou se os recursos da Suframa não fossem contingenciados a ponto de inviabilizar ações de interiorização do desenvolvimento?

Em meio à crise política, econômica e sanitária, a Zona Franca mostra seu peso, mas não podemos esquecer que a competitividade do modelo já foi bem maior. Mais do que nunca, a sociedade amazonense precisa agir para preservar as características do modelo, e torná-lo ainda mais forte, sem perder de vista a necessidade de desenvolver outras matrizes econômicas.