A arte como terapia para superar a ansiedade e a síndrome do pânico
Ex-pajé do Caprichoso, Netto Simões encontrou na arte com biscuit a fórmula para colocar o lado emocional em equilíbrio e afirma estar preparado para voltar ao boi
Pajé do boi-bumbá Caprichoso num curto espaço de tempo, entre os anos de 2017 e 2019, Netto Simões surpreendeu a nação Azul e Branco naquele último ano. E o motivo que o levou a se afastar no auge da sua carreira foram as crises de ansiedade, que se agravaram com o passar do tempo até desenvolver a síndrome do pânico. Longe da Arena, do item 12 que tanto gostava de defender, ele encontrou na arte com biscuit a terapia necessária para recuperar o brilho no olhar e se fortalecer para, quem sabe, retornar ao bumbódromo, firme e forte.
“Desde 2017 eu vinha enfrentando problema de ansiedade, do qual eu lutava sozinho e não conseguia falar sobre o assunto. Em 2018, a ansiedade evoluiu até desenvolver a síndrome do pânico. Lutei como podia e só conseguia esquecer desses males quando estava na Arena do Bumbódromo como pajé. Em 2019, por motivos internos e somados à ansiedade e a síndrome do pânico, vi que era o momento de parar e buscar tratamento”, enfatizou o artista.
Netto procurou uma psicóloga e foi a partir de então que ele começou a lidar de frente com seus problemas. Foi muita pesquisa, busca na literatura para entender e compreender o que era a ansiedade e a síndrome do pânico. E como todo parintinense que tem na veia o lado artístico, ele começou a criar bonecos com a massa de biscuit.
E a empreitada está dando super certo. Mas antes de relatar como foi para superar esse período sombrio, é importante destacar como passou por esse momento nebuloso. “Só vim perceber os traços da ansiedade devido a autocobrança. Tudo o que eu fazia, nada prestava e isso foi me corroendo. E a pressão psicológica dentro do processo só agravou. Foi aí que resolvi procurar uma especialista e descobriu que estava com ansiedade desde 2017. E nos acompanhamentos que recebia da psicóloga, ela orientou informações sobre a ansiedade e o escape encontrado para lidar com o problema foi o biscuit”.
A válvula de escape
Apaixonado por animes e produtos colecionáveis, Netto Simões começou a criar “funko pop”, que são os bonecos cabeçudos. Depois passou a fazer criações realistas e também os bonecos tíbios, que são os bonecos com cabeça arredondada, mas de forma infantil.

Netto Simões está com a agenda lotada de encomendas e pedidos até o mês de dezembro (Foto: Jhonny Lima)
A dedicação tomou proporções que foram além da Ilha Tupinambarana e hoje, conta com uma linha de produção de bonecos funko pop somente com produtos dos bumbás Caprichoso e Garantido. “Estou com agenda fechada até dezembro deste ano. Tem produtos meus que foram pra Manaus, para outros estados e até fora do Brasil”, comemora o ex-pajé.
Uma vez pajé…..
Ao deixar o item 12, Netto Simões não se distanciou do bumbá, mas passou a atuar como item 19 (galera). Ele lembra do carinho que ainda recebe da nação azul e branca nos eventos do Caprichoso que participa. E todo esse afeto o fez refletir sobre uma postagem nas redes sociais, logo após sua saída, na qual ele escreveu que não iria mais atuar como pajé.
Com a ansiedade e a síndrome do pânico sob controle, somados à paixão pela arte e ao boi da estrela na testa, Netto volta na decisão e se coloca à disposição do bumbá.
“A arte é a asa do artista e o artista quer voar. Volto atrás do que eu falei, pois é algo que eu amo e gosto. Mas muita coisa aconteceu de lá para cá, muita coisa falada. Teve a pandemia e tudo isso serviu de mola propulsora para hoje, no meu melhor momento, afirmar que estou preparado para voltar a defender o item 12. Um dia, se precisarem, estarei à disposição. Com certeza será um novo Netto, trazendo coisas novas e muito mais confiante”, finalizou.