Barco do Movimento Amigos do Garantido (MAG) chega a Parintins
Embarcação, que atracou no píer da Cidade Garantido por volta das 16h30 desta terça (21), trouxe por volta de 240 pessoas, entre membros do movimento, batuqueiros, dançarinos e brincantes
Um arco-íris se descortinou no céu do Curral Lindolfo Monteverde por volta das 15h da tarde desta terça (21) para esperar a chegada do barco do Movimento Amigos do Garantido (MAG), que atracou por volta das 16h30 no píer da Cidade Garantido, em Parintins, com seus tripulantes cantando toadas do bumbá. Ao todo, 240 pessoas vieram a bordo da embarcação temática, que trazia inúmeras decorações de coração e que trouxe tanto o boi de coração na testa, quanto membros do MAG e brincantes, batuqueiros e dançarinos que vão se apresentar pelo bumbá na arena.
Ao ser avistada no horizonte, a embarcação seguiu reto rumo à tradicional passagem pela orla de Parintins, para anunciar a chegada dos brincantes e ser ovacionada com fogos de artifício. Após essa passagem, o barco passou pela parte da orla que fica na frente da casa do empresário e compositor de toadas Sandro Putnoki, falecido em decorrência da Covid-19, onde há a tradicional escultura do boi vermelho e branco que virou atração turística na cidade. Mesmo após a morte de Sandro, a família quis continuar a tradição de lançar fogos de artifício na chegada do MAG.

Márcio Putnoki (Gilson Mello)
“Resolvemos manter a tradição da queima de fogos. Tanto que a feijoada tradicional vai continuar acontecendo em todo o sábado de festival. Fazem mais de 10 anos que o barco vem, ele fazia questão de recepcionar a chegada do boi Garantido. Meu pai construiu uma casa aqui e há 20 anos ele vinha para cá, em todo festival. Em São Paulo [cidade natal de Sandro] ele divulgava a cultura do boi-bumbá. Vai ser o primeiro festival sem ele, e entrar pela primeira vez no Bumbódromo sem ele vai ser muito difícil, mas queremos eternizar a sua memória”, pontua o empresário Márcio Putnoki, filho de Sandro.
Gratidão
Segundo Juvenal Filho, vice-presidente do MAG, o movimento possui 26 anos e, durante todo este tempo, um barco é fretado para levar membros do item 19 de Manaus a Parintins. “Nós fazemos os currais em Manaus até junho, onde os membros são todos voluntários. Nós alugamos o barco para trazer seus membros e seus acompanhantes para curtir o festival. Alguns vêm trabalhar no evento, mas muitos vêm participar da torcida”, declara Juvenal.
Grupos de dança como o Garantido Show, parte dos membros do grupo Gandhicats e parte da Batucada também vieram na embarcação, que cruzou os rios da capital até à ilha tupinambarana em torno de 20 horas. “Também trazemos nossos patrocinadores que ajudam com comida e combustível. É o momento em que o MAG é grato a quem colabora com o núcleo durante o decorrer do ano”, pontua ele. Durante a viagem, músicos voluntários agitam os viajantes com toadas do Boi Garantido. “Rola uma cervejinha”, mas tudo com segurança”, aponta o vice-presidente.

Juvenal Filho (Gilson Mello)
O presidente do Boi Garantido, Antônio Andrade, se emocionou ao ver o barco atracando no píer. “É a força do Boi Garantido. Mostra a força que o boi tem em Manaus. Depois de dois anos sem festival, estamos vendo o barco chegar lotado”, afirmou Antônio, com os olhos lacrimejando.
Pequenos unidos
Torcedores de diversas faixas etárias chegaram a Parintins pelo barco do MAG. É o exemplo dos estudantes Maria Eduarda, 16, e Carlos Eduardo, 11, que vieram encontrar com a mãe, a assistente jurídica Sônia Pessoa. Ela já estava em Parintins. “É a primeira vez que venho no barco do MAG. Gostei de ver a paisagem quando eu vinha. Vi o Encontro das Águas, a floresta amazônica, é muito lindo. Eu era do boi contrário, mas fui na casa do tio Antônio [Andrade] e achei que é mais emocionante do que o outro. Agora sou Garantido”, afirma o garoto.

Carlos Eduardo, Sônia Pessoa e Maria Eduarda (Gilson Mello)
“Foi uma emoção. Me arrepiei todinha na hora dos fogos. O que mais gostei de ver foi a recepção daqui. Gostei bastante das amizades que fiz aí dentro do barco, das toadas que foram tocadas, de tudo”, diz ela, que, ao contrário do irmão, é Garantido desde bebê. “Desde pequena minha mãe me leva para brincar de boi. É muita emoção”, alega Maria Eduarda.
Nem só pessoas foram transportadas para Manaus: a universitária Júlia Santos, que é batuqueira no Boi Garantido, se reencontrou com o seu surdo, instrumento musical que é seu aliado na arena do Bumbódromo. “Meu surdo veio no barco, e tenho certeza que ele veio muito bem protegido: pegou a energia que é estar nessa muvuca do barco do MAG, morrendo de saudade para chegar aqui na ilha”, pontua ela, que tem as melhores expectativas possíveis para o festival. “Tô esperando matar toda a saudade que eu tenho. Espero chorar muito, mas quero ver meu boi brincar na arena”, completa ela.

Júlia Santos (Gilson Mello)