Caprichoso vai às ruas, brincando de boi e encantando multidões
Um 'mar azulado' tomou conta as ruas de Parintins, emocionando muita gente que acompanhou o trio ou aguardavam de suas casas o boi de pano e demais itens
Parintins (AM) – Torcedores do boi Caprichoso formaram um verdadeiro mar azul e branco em mais uma edição do Boi de Rua, realizado nesse sábado (22), em Parintins (distante 369 quilômetros em linha reta de Manaus). O tripa Alexandre Azevedo conduziu o bumbá na frente do trio elétrico e, pelo caminho, encontrou Málúù Dúdú com os mini tripas que evoluíam pelo percurso, que começou na avenida Sá Peixoto.
Claudia Romana, 37 anos, é mãe de Antony Henrique, 5, tripa de um mini boi Caprichoso pintado de efum. “Ele fica ansioso o ano inteiro esperando esse momento de vir para a rua e brincar com o boi. Quando ele encontra o boi é a maior alegria dele. E ele gosta disso: de evoluir e está junto com o Caprichoso. Nossa família é toda Caprichoso, moramos ali na Francesa, perto do curral então é inevitável não ser Caprichoso”, disse Romana. Para ela, o Boi de Rua é um momento de reviver histórias.

O pequeno Antony Henrique, de 5 anos, brinca como tripa do Caprichoso desde os 3. (Fotos: Paulo Bindá/A Crítica)
“Todos nós, desde muito pequenas, brincamos de boi no Caprichoso. E o momento do Boi de Rua é de resgatar as toadas antigas, momentos do passado”, complementou.
Rick Tavares, 43 anos, é o pai de Antony. Ele conta que desde os três anos o filho brinca como tripa. “É um orgulho e emoção muito grande. O Boi de Rua representa a tradição. É o momento de trazer as crianças”, disse.

Antony Henrique, 5 anos, acompanhado de seus pais, Claudia Romana, 37, e Rick Tavares, 43. (Fotos: Paulo Bindá/A Crítica)
Desde novinha espera o boi passar
Na cadeira em frente à própria casa, na espera de ver o Caprichoso passar, Vanize Soares, 54 anos, disse que desde muito nova aguardava o boi de pano passar. E ela, acompanhada da mãe, que já faleceu.

Vanize Soares, 54 anos, lembra com saudosismo da época que brincava de boi acompanhada de sua mãe. (Foto: Paulo Bindá/A Crítica)
“É muito gratificante. Eu já brinquei muito no Caprichoso quando era mais jovem. Sinto muita falta da minha mãe, já fazem oito anos que ela faleceu. Ela gostava muito de ver o Caprichoso passar”, disse a mulher.
Caprichosa desde o nascimento
Maria Goreth de Souza, hoje com 66 anos, vestia uma blusa do Caprichoso. Eufórica, estava na expectativa de ver o touro negro em mais um Boi de Rua.

Eufórica e muito animada, Maria Goreth, 66 anos, destacou que é torcedora do Caprichoso desde quando estava no útero da mãe. (Foto: Paulo Bindá/A Crítica)
“Caprichoso é paixão, alegria e emoção. Desde pequena na barriga da minha mãe eu já era Caprichoso. Eu sempre brinquei desde muitos anos. Na época do Urubuzal, dançava. Dancei muitos anos”, disse aposentada.
“Olha ele aqui, o negão. É ele”, disse ao ver o boi tão amado chegar para evoluir.
‘Boi de Rua é ancestralidade’, diz Thaís Kokama
No meio da galera, a compositora do boi Caprichoso, Thaís Kokama, afirmou que o Boi de Rua também é ancestralidade. “É reviver toda cultura e força que o boi passa para a gente. É dia de festejar nossos amigos e parentes. Também passa muita ancestralidade por meio das pinturas corporais que eu faço. Muita gente, hoje, está pintada na rua com grafismo corporal. O Boi de Rua traz tudo isso: ancestralidade, força e rumo à vitória”.
Veja alguns momentos do Boi de Rua
Irmãos vaqueiros
Os irmãos Danilo e Macel vestiam roupas de vaqueiros do boi Caprichoso. A ideia surgiu da mãe, Dirlana de Siqueira, 29 anos. Desde quando criança, brincam de boi junto à mãe.

Dirlana de Siqueira, 29 anos, brinca de boi acompanhada dos dois filhos, Danilo e Macel. (Foto: Paulo Bindá/A Crítica)
“O boi de rua é a melhor festa de todos os tempos. O boi Caprichoso é o melhor de todos os tempos. Desde criança com a minha mãe eu brincava no Caprichoso. Ela sempre me trazia nos ensaios e todas as festas do Caprichoso”, disse.
A mãe de Dirlana, Rosana Siqueira, 52 anos, classificou o Boi de Rua como um grande evento. “Para mim é uma alegria muito grande. Quando elas eram crianças, eu sempre trouxe elas para o boi de rua, e também a gente sempre ia na passagem do som. Para mim é uma alegria imensa estar com ela, com os meus dois netos fazendo parte dessa grande festa e grande caminhada do nosso boi rumo ao tricampeonato.
Multidão conduzida pela Marujada de Guerra
No trio principal Patrick Araújo, Edmundo Oran e Prince do Caprichoso, levantador de toadas, apresentador e amo do boi, respectivamente, revezavam nos vocais das toadas.

Patrick Araújo, levantador de toadas oficial do boi Caprichoso (Foto: Paulo Bindá/A Crítica)
A multidão era levada pela Marujada de Guerra junto da torcida oficial, Raça Azul. Triciclos enfeitados nas cores do boi Caprichoso com direito a miniaturas do bumbá ficavam e encarregados de abastecer os brincantes que entoavam o amor pelo boi de estrela na testa.
Confira mais imagens do Boi de Rua: